segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Os vencedores do BAFTA 2018



A Academia Britânica de Artes da Televisão e Cinema premiou neste domingo os melhores filmes da temporada no BAFTA Awards 2018, a maior premiação do cinema britânico. O grande vencedor da noite foi Três Anúncios Para um Crime, de Martin McDonagh, que além do prêmio principal ainda se sagrou em mais quatro categorias. A Forma da Água, que tinha o maior número de indicações, saiu da noite com três prêmios. Confira abaixo a lista completa dos vencedores:

MELHOR FILME
A Forma da Água
Dunkirk
Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino de uma Nação
Três Anúncios Para um Crime

MELHOR FILME BRITÂNICO
God's Own Country
Lady Macbeth
O Destino de uma Nação
Paddington 2
The Death of Stalin
Três Anúncios Para um Crime

MELHOR DIRETOR
Christopher Nolan, de Dunkirk
Denis Villeneuve, de Blade Runner 2049
Guillermo Del Toro, de A Forma da Água
Luca Guadagnino, de Me Chame pelo seu Nome
Martin McDonagh, de Três Anúncios para um Crime

MELHOR ATRIZ
Annette Bening, por Film Stars Don't Die in Liverpool
Frances McDormand, por Três Anúncios para um Crime
Margot Robbie, por Eu, Tonya
Sally Hawkings, por A Forma da Água
Saoirse Ronan, por Lady Bird  

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis, por Trama Fantasma
Daniel Kaluuya, por Corra!
Gary Oldman, por O Destino de uma Nação
Jamie Bell, por Film Stars Don't Die in Liverpool
Timothée Chalamet, por Me Chame pelo seu Nome

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney, por Eu, Tonya
Kristin Scott Thomas, por O Destino de uma Nação
Laurie Metcalf, por Lady Bird
Lesley Manville, por Trama Fantasma
Octavia Spencer, por A Forma da Água

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer, por Todo o Dinheiro do Mundo
Hugh Grant, por Paddington 2
Sam Rockwell, por Três Anúncios para um Crime
Willem Defoe, por Projeto Flórida
Woody Harrelson, por Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
A Forma da Água
Corra!
Eu, Tonya
Lady Bird
Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Grande Jogada
Film Stars Don't Die in Liverpool
Me Chame pelo seu Nome
Paddington 2
The Death of Stalin

MELHOR TRILHA SONORA
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
O Destino de uma Nação
Trama Fantasma

MELHOR FOTOGRAFIA
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
O Destino de uma Nação
Três Anúncios para um Crime

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
A Criada
Elle
First They Killed My Father
O Apartamento
Sem Amor

MELHOR ANIMAÇÃO
Com Amor, Van Gogh
Minha Vida de Abobrinha
Viva - A Vida é uma Festa

MELHOR DOCUMENTÁRIO
An Inconvenient Sequel
City of Ghosts
Icarus
I Am Not Your Negro
Jane

MELHOR EDIÇÃO
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
Três Anúncios para um Crime

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Bela e a Fera
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
O Destino de uma Nação

MELHOR FIGURINO
A Bela e a Fera
A Forma da Água
Eu, Tonya
O Destino de uma Nação
Trama Fantasma

MELHOR PENTEADO E MAQUIAGEM
Blade Runner 2049
Eu, Tonya
Extraordinário
O Destino de uma Nação
Victoria e Abdul

MELHOR SOM
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fug
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHORES EFEITOS VISUAIS
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Planeta dos Macacos: A Guerra
Star Wars: Os Últimos Jedi

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Crítica: Projeto Flórida (2018)


Sean S. Baker ficou conhecido em 2015 por Tangerine, filmado inteiramente por uma câmera de Iphone e que se tornou um dos filmes mais badalados daquele ano nos festivais de cinema independente. Neste ano ele volta às telas com Projeto Flórida, mais um trabalho humano que mostra o lado suburbano de grandes cidades americanas e destrói com a ideia do sonho americano.


Ao lado de um dos destinos mais visitados do mundo, a Disney World, fica um conjunto de motéis onde vivem famílias de baixa renda. Ironicamente um deles tem o nome de Magic Kingdom (o mesmo nome do parque vizinho), e é onde vive Moonee (Brooklynn Prince), uma menina de seis anos, extremamente desbocada e sem limites. Ela passa seus dias brincando e aprontando pelos espaços dos motéis com outras crianças, e sempre arruma problemas para sua mãe, Halley (Brie Vinaite).

Halley é uma mulher que luta para se sustentar trabalhando em uma casa de dançarinas, mas o dinheiro mal dá para pagar o aluguel do quarto e ela precisa se virar de outras formas. Ela é o retrato de uma mulher que, mesmo jovem, já passou muitas dificuldades na vida e tenta se erguer num mundo difícil e de poucas oportunidades. O gerente do motel é Bobby (Wiliem Defoe), um homem tranquilo que comanda tudo a pulsos firmes. Toda e qualquer confusão que ocorre ele precisa estar ali para resolver, e sua figura quase paternal faz com que todos o respeitem acima de tudo.


O roteiro é levado com muita simplicidade, e os enquadramentos e movimentos de câmera nos dão a impressão de estarmos acompanhando pessoalmente tudo que acontece nesses prédios, como espectadores reais. Dentre todas as atuações, o destaque maior é a para a menininha Brooklynn Prince, que de uma maneira inacreditável, simplesmente leva o filme nas costas. É gratificante para o mundo do cinema quando um talento como esse surge tão precocemente. 

Simples mas profundo, Projeto Flórida tem suas qualidades, como já descrito, mas ficou um pouco abaixo do que eu esperava do meio pro final devido ao ritmo lento, mesmo que possua um final poderoso e belíssimo. Abordando situações banais, o filme tem um sensibilidade rara no cinema de hoje e só por isso já vale a pena ser notado.



terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Os indicados ao Óscar 2018


Saiu nesta terça-feira (23) a lista dos indicados ao Óscar 2018, e confesso a vocês que achei bem fraca em relação aos anos anteriores. Começando pela categoria de melhor filme, parece até piada de mal gosto as indicações de Corra! e Lady Bird, principalmente o segundo, que é raso e totalmente descartável. Mas a disputa de verdade será acirrada entre A Forma da Água (recordista desta edição com 13 indicações), O Destino de uma Nação e Três Anúncios para um Crime. Na parte de direção, a decepção é ver Greta Gerwig concorrendo e Martin McDonadh fora da disputa. Onde a Academia está com a cabeça?

A categoria de melhor atriz já tem uma grande favorita ao prêmio: Frances McDormand, que está incrível em Três Anúncios para um Crime. Vale lembrar a presença de Meryl Streep, que concorre pela 21ª ao Óscar. Já a categoria de melhor ator parece estar mais disputada este ano, com nomes consagrados como Gary Oldman, Denzel Washington e Daniel Day-Lewis.

Na categoria de melhor roteiro original, a grande surpresa é a presença de Doentes de Amor, um filme despretensioso que ganhou os corações dos espectadores mas que jamais era esperado na premiação. Em roteiro adaptado, os fãs de de Wolwerine devem ficar contentes com a presença de Logan. Quem também concorre é Artista do Desastre, de James Franco, que muitos esperavam ver em mais categorias mas só concorre nesta. Enfim, confira abaixo a lista completa:

A Forma da Água, de Guillermo del Toro, é o recordista de indicações deste ano.














MELHOR FILME
A Forma da Água, de Guillermo del Toro
Corra!, de Jordan Peele
Dunkirk, de Christopher Nolan
Lady Bird, de Greta Gerwig
Me Chame pelo seu Nome, de Luca Guadagnino
O Destino da Nação, de Joe Wright
Phantom Thread, de Paul Thomas Anderson
The Post, de Steven Spielberg
Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh

MELHOR DIREÇÃO
Christopher Nolan, de Dunkirk
Guillermo del Toro, de A Forma da Água
Greta Gerwig, de Lady Bird
Jordan Peele, de Corra!
Paul Thomas Anderson, por Trama Fantasma

MELHOR ATRIZ
Frances McDormand, por Três Anúncios para um Crime
Margot Robbie, por Eu, Tonya
Meryl Streep, por The Post
Sally Hawkins, por A Forma da Água
Saoirse Ronan, por Lady Bird

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis, por Trama Fantasma
Daniel Kaluuya, por Corra!
Denzel Washington, por Roman J. Israel, Esq.
Gary Oldman, por O Destino de uma Nação
Timothée Chalamet, por Me Chame pelo seu Nome

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney, por Eu, Tonya
Laurie Metcalf, por Lady Bird
Leslie Manville, por Trama Fantasma
Mary J. Blige, por Mudbound
Octavia Spencer, por A Forma da Água

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christopher Plummer, por Todo o Dinheiro do Mundo
Richard Jenkins, por A Forma da Água
Sam Rockwell, por Três Anúncios para um Crime
Willem Dafoe, por Projeto Flórida
Woody Harrelson, por Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
A Forma da Água
Corra!
Doentes de Amor
Lady Bird
Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Grande Jogada
Artista do Desastre
Logan
Me Chame pelo seu Nome
Mudbound

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Desamor (Rússia)
Insulto (Líbano)
On Body e Soul (Hungria)
The Square (Suécia)
Uma Mulher Fantástica (Chile)

MELHOR ANIMAÇÃO
Breadwinner
Com Amor, Vincent
O Poderoso Chefinho
O Touro Ferdinando
Viva - A Vida é uma Festa

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Abacus
Faces Places
Icarus
Last Men in Aleppo
Strong Island

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Bela e a Fera
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
O Destino de uma Nação

MELHOR FOTOGRAFIA
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Mudbound
O Destino de uma Nação

MELHOR FIGURINO
A Bela e a Fera
A Forma da Água
O Destino de uma Nação
Trama Fantasma
Victoria & Abdul

MELHOR MAQUIAGEM
Extraordinário
O Destino de uma Nação
Victoria & Abdul

MELHOR TRILHA SONORA
A Forma da Água
Dunkirk
Star Wars: Os Últimos Jedi
Trama Fantasma
Três Anúncios para um Crime

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Mighty River, de Mudbound
Mystery of Love, de Me Chame pelo seu Nome
Remember Me, de Viva - A Vida é uma Festa
Stand Up for Something, de Marshal
This is Me, de O Rei do Show

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Blade Runner 2049
Guardiões da Galáxia Vol. 2
Kong: A Ilha da Caveira
Planeta dos Macacos: A Guerra
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHOR SOM
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHOR MONTAGEM
A Forma da Água
Dunkirk
Em Ritmo de Fuga
Eu, Tonya
Três Anúncios para um Crime

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
Dear Basketball
Garden Party
Lou
Negative Space
Revolting Rhymes

MELHOR CURTA-METRAGEM
Dekalb Elementary
My Nephew Emmet
The Eleven O'Clock
The Silent Child
Watu Wote / All of Us

MELHOR CURTA DE DOCUMENTÁRIO
Edith+Eddie
Heaven is a Traffic Jam on the 405
Heroine
Knife Skill
Traffic Stop

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Crítica: Três Anúncios Para um Crime (2018)


Cinco anos após lançar o genial Sete Psicopatas e um Shih Tzu, Martin McDonagh volta às telas com um humor negro ainda mais afiado em Três Anúncios Para um Crime. Tido como um dos favoritos ao Óscar deste ano, o filme se passa na cidade de Ebbing e acompanha Mildred Haynes (Frances McDormand), uma mulher que sofreu uma reviravolta nos últimos meses após sua filha ter sido estuprada e brutalmente assassinada numa estrada abandonada da região. 


Indignada por ver o caso sendo deixado de lado pela polícia local, ela decide alugar três outdoors e colocar mensagens exigindo respostas em cada um deles, tendo como alvo o detetive Bill Willoughby (Woody Harrelson). Se sentindo culpado por nunca ter encontrado o verdadeiro responsável pelo crime, o detetive decide recomeçar as investigações, mas ao mesmo tempo, precisa lidar com um câncer terminal e o futuro de sua família quando o pior acontecer.  

Uma característica muito presente no filme é a forma como os personagens vão agindo de forma errada, ainda que para eles estejam certos, e como cada decisão vai criando consequências numa espécie de efeito dominó. São personagens extremamente humanos, com qualidades e defeitos, e um dos maiores exemplos disso é o policial Dixon (Sam Rockwell), que pode ser quase considerado uma espécie de vilão. Beberrão, inconsequente e sem escrúpulos, ele não mede esforços para estragar sua reputação.


Dando vida a uma mulher forte e determinada, Frances McDormand tem talvez o grande papel de sua longa carreira. Sua atuação é maravilhosa e digna de vencer todas as premiações deste início de temporada. Além das boas atuações e de um elenco competente, o filme possui muitos diálogos marcantes, que fazem pensar bastante sobre a natureza humana e suas nuances.

A estética dos filmes de McDonagh lembram muito a maneira de dirigir dos irmãos Coen, pela maneira de desenvolver os personagens, pela violência natural, pelo humor negro e pelo próprio enquadramento de câmeras. Mas com assinatura original de um diretor que vem pouco a pouco escrevendo seu nome no circuito.


domingo, 14 de janeiro de 2018

Crítica: Viva - A Vida é uma Festa (2018)


Existem filmes que conseguem tocar no fundo da nossa alma de uma maneira inexplicável. E quando o filme é uma animação, o mérito acaba sendo ainda maior. Há anos que o gênero deixou de ser apenas uma diversão para crianças para também conquistar o coração de adultos de espírito livre. Viva - A Vida é uma Festa, novo filme da Disney Pixar, é o tipo de filme que te deixa leve e mais entusiasmado com a vida após terminar, e já para mim a melhor animação do estúdio desde Up (2009).


O filme acompanha o menino Miguel, que pertence a uma família que há anos é conhecida por fabricar sapatos na cidade onde moram. Depois que um cantor abandonou a tataravó de Miguel e destruiu com toda a família, nenhum tipo de música jamais foi permitido nos ambientes familiares novamente. Mas Miguel é apaixonado por música e sonha seguir os passos de seu grande ídolo, Ernesto de la Cruz, o maior cantor da história do México.

Sem seu instrumento, quebrado pela avó, ele decide roubar o violão do túmulo de Ernesto de la Cruz para participar de um show de talentos na praça principal, mas por uma magia acaba indo parar no mundo dos mortos. O mundo dos mortos é retratado aqui de forma bem diferente do que o comum que estamos acostumados. Não há ninguém pra baixo, ninguém sofrendo, apenas festas, muita música e diversão. Um lado otimista da morte e do destino daqueles que um dia fizeram parte de nossas vidas.

No mundo dos mortos, você desaparece para sempre quando ninguém mais lembra de você no mundo dos vivos. O enredo usa isso para passar uma bonita lição sobre o legado que devemos deixar em vida, e as lembranças boas para quem fica. A memória que temos dos nossos parentes mortos é o que move a trama, já que ele só podem atravessar uma espécie de portal para o nosso mundo quando são lembrados por seus parentes vivos na cerimônia do "dia de los muertos".

O filme aborda o tema da morte com muita simplicidade e de uma maneira que não assusta os pequenos. Visualmente o filme é lindo, com muitas cores e muita influência da cultura mexicana. Mas o principal são as canções, principalmente "Remember me", carro chefe da trama que possivelmente estará no Oscar deste ano e que é incrivelmente bela. Aliás, prepare os lencinhos, porque pelo menos em dois momentos do filme você vai sentir uma vontade incontrolável de chorar, e ambos com essa música envolvida.

Por fim, Viva já entrou na lista das melhores animação que já assisti na vida, e olha que tiveram muitas excelentes nos últimos anos. Aperte o play e te prepara pra viajar numa história sem igual, com uma originalidade única e um leque de lições necessárias para adultos e crianças.