domingo, 28 de abril de 2013

Recomendação de Filme #14

                                         OldBoy (Chan-wook Park) - 2003


O cinema oriental é conhecido por ser seus filmes viscerais, perturbadores, e originais. E se eu tivesse que fazer uma lista dos melhores filmes vindos do outro lado do mundo, certamente OldBoy (Oldboy) estaria no topo.




O filme do sul-coreano Chan-wook Park é o segundo de uma trilogia, que aborda um tema recorrente no cinema de lá: a vingança. O longa conta o drama de Oh Daesu, sequestrado por um desafeto sem um motivo aparente e aprisionado em uma cela que parece um pequeno quarto de hotel, onde seu único contato com o mundo exterior passa a ser uma pequena televisão.

Em um dado momento, Daesu se desespera ao ver no noticiário que sua mulher foi assassinada, e sem conseguir fugir (apesar de inúmeras tentativas), nutre com o passar dos dias um terrível desejo de se vingar.



Alguns anos se passam e ele acorda misteriosamente fora da cela. Sim, isso mesmo. Não há uma explicação plausível, e ele simplesmente está livre. É então que ele começa uma caçada para descobrir quem fez aquilo e o porque. Aos poucos, ele vai encontrando pelo caminho pessoas chaves que o auxiliam na resolução desse mistério, o que vai intrigando o espectador a cada nova cena.

O estilo narrativo de OldBoy é pouco convencional, e feito com extrema criatividade pelo diretor, que cria sequências antológicas como a famosa cena da luta em um corredor ou a cena em que o protagonista come um polvo. Tudo isso aliado a uma excelente fotografia, e um aspecto visual impressionante. O final é surpreendente e chocante, com uma mudança de foco drástica que faz com que o filme seja ainda mais memorável.


É um filme controverso, tanto é que os espectadores se dividem entre os que o amam (como o júri do festival de Cannes que o premiou como melhor filme de 2003), e os que o odeiam (com o argumento de que a violência do filme é usada de forma gratuita, o que eu não concordo).

Mas uma coisa é unânime: OldBoy é um verdadeiro soco no estômago, capaz de despertar sentimentos únicos em que o assiste. Como disse um crítico americano, "é um filme poderoso, não devido ao que retrata, mas devido às profundezas do coração humano que ele desnuda". 




De fato, é uma obra não recomendada para pessoas sensíveis, devido ao seu conteúdo violento, grotesco e as vezes escatológico. Uma obra que nos leva ao pior do ser-humano, e para assistir, primeiramente você deve se despir de qualquer conceito do que é correto e do que não é.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Estreias da Semana (26/04 a 03/05)

Um número grande de filmes entra em cartaz essa semana nos cinemas de todo país. Nada menos do que nove produções estreiam nessa sexta-feira, e entre elas a produção mais esperada pelo público é o novo Homem de Ferro, com o ator Robert Downey Jr, que promete lotar as salas de produções a partir de amanhã.

Para quem gosta de dar boas risadas, há uma boa leva no gênero de comédia, com Um Bom Partido, 2 Dias em Nova York e Reality - A Grande Ilusão, esse último advindo direto da Itália.

No cinema nacional, temos a estreia de O Abismo Prateado com a atriz Alessandra Negrini, que tem sua história baseada numa canção de Chico Buarque, além de Réquiem Para Laura Martin, vencedor de alguns prêmios e que chamou a atenção da crítica nos últimos meses.

Abaixo vocês conferem a lista completa do filmes, com suas respectivas fichas técnicas e trailers, para escolherem qual ou quais irão fazer a pena a viagem até os cinemas.

                    
Homem de Ferro 3

Desde o ataque dos Chitauri a Nova York, Tony Stark (Robert Downey Jr.) vem enfrentando dificuldades para dormir e, quando consegue, tem terríveis pesadelos. Ele teme não conseguir proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) dos vários inimigos que passou a ter após vestir a armadura do Homem de Ferro. Um deles, o Mandarim (Ben Kingsley), decide atacá-lo com força total, destruindo sua mansão e capturando Pepper. Para enfrentá-lo Stark precisará ressurgir do fundo do mar, para onde foi levado junto com os destroços da mansão, e superar seu maior medo: o de fracassar.

Iron Man 3, Estados Unidos, 2013.
Direção: Shane Black
Duração: 131 minutos
Classificação: 12 anos.
Ação/Ficção Científica
Assista o trailer aqui.
                                            
                                                     Um Bom Partido

George (Gerard Butler) é um ex-jogador de futebol que, na tentativa de se aproximar do filho, passa a treinar a equipe juvenil na qual ele joga. Só que ele não consegue se manter afastado das mães dos colegas de seu filho, a quem vive dando em cima.

Playing for Keeps, Estados Unidos, 2012.
Direção: Gabriele Muccino
Duração: 105 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia/Romance
Assista o trailer aqui.


                                                  2 Dias em Nova York

Marion (Julie Delpy) rompeu com o namorado e vive em Nova York com seu filho. Quando sua família decide visita-la, a diferença cultural entre seu novo namorado Mingus (Chris Rock) e seus pais acaba criando uma atmosfera explosiva.

2 Days in New York, Estados Unidos, 2013.
Direção: Julie Delpy
Duração: 96 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia/Romance
Assista o trailer aqui.

                                                         O Futuro

Sophie (Miranda July) e Jason (Hamish Linklater) são um casal de classe média, com empregos pouco satisfatórios, e que decidem ter a experiência de cuidar de um filho durante um tempo, por isso optam por adotar um gato em fase terminal. Diante da responsabilidade que a adoção de um ser vivo representa, eles se angustiam e começam a buscar possibilidade de escapismo. A partir daí, do amadurecimento forçado, a perspectiva de vida do casal muda radicalmente, o que colocará em prova a fé deles em si próprios e nos outros.

The Furute, Alemanha/EUA, 2012
Direção: Miranda July
Duração: 91 minutos
Classificação: 14 anos.
Drama
Assista o trailer aqui.

                                              Reality - A Grande Ilusão

Luciano (Aniello Arena) é o dono de uma peixaria que faz vários bicos para manter sua família. Um dia, sua família passeia em um shopping center e descobre que lá estão fazendo testes para o Grande Fratello, a versão italiana do programa de TV Big Brother. Chamado via celular, Luciano vai ao local fazer um teste. Os produtores gostam dele e o chamam para um segundo teste. Empolgado com a chance de enfim melhorar de vida, Luciano dá como certo que estará na próxima seleção do programa. Só que o tempo passa e, sem nenhum comunicado da emissora de TV, ele fica cada vez mais paranóico.

Reality, França/Itália, 2013.
Direção: Matteo Garrone
Duração: 116 minutos
Classificação: Livre
Comédia
Assista o trailer aqui.
                                             
                                                     Depois de Maio

França, 1971. O aspirante a pintor Giller e seus amigos Alain, Jean-Pierre e Christine trabalham na disseminação de ideias revolucionárias e anarquistas. Quando um protesto dá errado, eles precisam fugir da cidade, e iniciam uma jornada de conhecimento e aprendizado.

Après Mai, França, 2013.
Direção: Olivier Assayas
Duração: 122 minutos
Classificação: 16 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                                   Amor em Trânsito

Com tudo preparado para ir à Barcelona e encontrar o namorado, Mercedes topa com Ariel, que acaba se tornando uma companhia muito agradável. Enquanto isso, Juan chega à Argentina depois de muitos anos fora em busca de uma mulher, e acaba conhecendo Micaela.

Amor en Tránsito, Argentina, 2012.
Direção: Lucas Blanco
Duração: 95 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia
Assista o trailer aqui.

                                                   O Abismo Prateado

O filme conta a estória de Violeta (Alessandra Negrini), uma mulher de 40 anos que tem um filho adoslecente, e após receber uma mensagem desconcertante no início do seu dia rotineiro, embarca em uma jornada pelas ruas do Rio de Janeiro.

O Abismo Prateado, Brasil, 2013.
Direção: Karim Ainouz
Duração: 83 minutos
Classificação: 14 anos.
Drama
Assista o trailer aqui.

                                             Réquiem para Laura Martin


Um maestro famoso e reconhecido torna-se cada mais mais obcecado por sua musa, Laura Martin. Esta mulher, uma bela musicista, faz a transcrição de todas as composições do maestro. Nasce entre os dois uma relação de sedução e possessão, prejudicada pelo casamento dele com Raquel, mulher que se esforça para compreender os desejos do marido. Mas Laura Martin não seria apenas um ser imaginário?

Requiém Para Laura Martin, Brasil, 2013.
Direção: Luiz Rangel/Paulo Duarte
Duração: 105 minutos
Classificação:

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Crítica: Eu e Você (2012)



O italiano Bernardo Bertolucci é o tipo de diretor que não deveria, para o bem do cinema, ficar dez anos sem dirigir um filme. Seu último trabalho havia sido Os Sonhadores, de 2003, e de lá para cá ele não havia feito nada novo até surgir a ideia para o roteiro de Eu e Você (Io e Te).





O filme conta a estória de Lorenzo (Jacopo Olmi Antinori), um jovem de 14 anos problemático, solitário, e que não aprecia nenhuma espécie de contato humano. A única pessoa com quem ele se identifica é a avó, a quem ele vai visitar o tempo todo no hospital.

Ao ser convocado para uma excursão do colégio, Lorenzo mente para os pais que vai viajar com a turma e se esconde por sete dias no porão da própria casa, apenas na companhia de seu computador, seus livros, uma "cidade de formigas" e um estoque de comida detalhadamente preparado.




O garoto, porém, não contava com a aparição da irmã por parte de pai, Olívia (Tea Falco), que o descobre no porão e passa a chantageá-lo para poder lhe fazer companhia. A relação dos dois de início é conturbada, mas aos poucos vira uma relação de carinho mútuo, já que ambos descobrem a dificuldade de de relacionamento com pessoas em comum.


Olívia está em recuperação do uso de heroína, e vive momentos de desespero por causa da abstinência. O diretor consegue, através de cenas fortes e verdadeiras, mostrar o drama pessoal dessa garota, e de alguma forma, o desespero do irmão em tentar ajuda-la.


É importante analisar que o tempo todo Bertolucci passa a idéia de que estamos diante de um caso que poderíamos considerar um incesto, mas sutilmente, sem demonstrar nada explicitamente. Aliás, o longa é campeão de brincar com a subjetividade do espectador, do início ao fim.




Eu e Você traz uma fotografia belíssima, além de uma trilha sonora impecável (com The Cure, Red Hot Chili Peppers, Muse, entre outros). Outro ponto forte são as excelentes atuações de dois jovens atores em início de carreira, que surpreendem pela qualidade e veracidade de seus personagens. É uma boa história, com boas cenas, que apesar da monotonia vale a pena ser assistido.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Crítica: Dentro da Casa (2013)


A produção e criação de uma obra literária, aliado ao vouyerismo, são os grandes cernes de Dentro Da Casa (Dans La Maison), novo filme do diretor Fraçois Ozon. No seu novo filme, o diretor brinca com ficção e realidade, fazendo com que andem de mãos dadas.


O protagonista no filme é Germain (Fabrice Luchini), um professor de Literatura no Ensino Médio que há tempos perdeu a esperança em seus alunos. Ao corrigir redações, ele se frusta com o que vê, tamanha é a disparidade do conteúdo escrito pelos alunos e o que ele tenta ensinar. Porém, a situação muda quanto entra em sua turma Claude (Ernst Umhauer), um garoto de 16 anos que demonstra uma surpreendente aptidão para a escrita, fazendo com que Germain e sua mulher incentivem o garoto na criação de uma narrativa.

O problema está no ponto de partida que Claude usa para escrever sua história. Ele age como um vouyer na casa de um amigo, descrevendo passo a passo da intimidade da vida daquela família, pela qual ele desenvolve um certo fascínio e uma obsessão. A cada visita, o aluno vai descrevendo com mais rigor tudo que ocorre dentro da casa, revelando um sentimento que ultrapassa os limites da escrita e tomam porporções absurdas na vida de cada um deles. Tudo isso com apoio do professor, que depois de um tempo passa a ser seu cúmplice nessa "invasão de privacidade". Afinal de contas, todo mundo tem um pouco de voyuer, mesmo que não confesse


O filme usa de bastante ironia, e acerta ao querer passar a ideia de que o cotidiano pode virar uma boa história se analisarmos ele de forma narrativa, com o acréscimo de suspense e fantasia.

Apesar das partes boas da trama, incluindo as boas atuações, o longa é bastante monótono em grande parte do tempo, o que talvez estrague um pouco seu resultado final. Um filme que vale a pena ser assistido em um final de tarde, mas sem grandes expectativas.

domingo, 21 de abril de 2013

Recomendação de Filme #13

O Sétimo Selo (Ingmar Bergman) - 1957

O cinema surgiu no final do século 19 como uma forma de entretenimento, mas com o passar do tempo virou uma forma de expressar os sentimentos mais ocultos, tornando-se assim a forma de expressão artística mais importante da modernidade. Ingmar Bergman soube aproveitar bem essa onda para mostrar seus ensaios filosóficos e introspectivos na tela, e com esse filme devo dizer que ele atingiu seu auge.




O Sétimo Selo (Det Sjunde Inseglet) conta a história de um cavaleiro chamado Block (Max Von Sydel), que após dez anos retorna das cruzadas e se depara com sua cidade devastada pela peste. Com tamanha tristeza, sua fé em deus é terrivelmente abalada e ele passa a refletir sobre o real significado da vida.

Nesse ínterim, a morte (tipicamente personificada, com um rosto cadavérico e vestida de preto) aparece para levá-lo embora. Com o objetivo de ganhar tempo de vida, o cavaleiro convida a morte para um jogo de xadrez, que decidirá sobre seu futuro. A morte, é claro, aceita o desafio, pois é soberana e mesmo perdendo, sabe que pode leva-lo quando bem entender.


A parte do jogo de xadrez é uma das melhores metáforas existentes na história do cinema. A vida é retratada como uma partida, em que você mexe do jeito que quer, e não importa o que aconteça, um dia ela chega ao fim. Enquanto o jogo desenrola, Block para a pensar no sentido que temos em estar nessa vida, e principalmente em como ela é frágil. Há também uma forte discussão sobre a existência de deus, do diabo e da vida após a morte, em diálogos espirituosos e marcantes.

Existem poucos filmes que podem ser considerados uma obra-prima, e O Sétimo Selo é um deles. É impossível ficar indiferente ao que passa na sua frente em uma hora e meia de filme. Uma alegoria em preto e branco sobre a busca do homem por um sentido da vida em um mundo caótico e desigual. Um filme obrigatório a todos que possuem sensibilidade e espírito livre.

sábado, 20 de abril de 2013

Crítica: A Pequena Loja de Suicídios (2012)


Há tempos que o gênero de filmes de animação deixou de ser direcionado apenas às crianças. Nos últimos anos vimos alguns exemplos de filmes animados feitos especialmente para adultos como Valsa com Bashir, Bicicletas de Belleville, Mary and Max, Persépolis e Walking Life, e A Pequena Loja de Suicídios (Le Magasin des Suicides) é mais um que entra para a lista.



O filme de Patrice Lecont é um paradoxo incrível: fala de um tema delicado (o suicídio) em forma de musical. Percebemos essa peculiaridade logo na primeira cena, onde um coral canta uma música "alegre" sobre o tema, enquanto pessoas se jogam de prédios e na frente de caminhões, e caminham pelas ruas com caras tristes e melancólicas. 



Numa cidade cinzenta, onde as pessoas não tem rumo e não vêem sentido nas suas vidas, a loja mais famosa e frequentada é a Loja de Suicídios, comandada pela família Tavuche, onde se vendem artigos que auxiliam os suicidas a cometerem o ato final de suas vidas e onde o lema é "morte ou reembolso".




A família é composta pelo pai, a mãe, e dois filhos que ajudam na loja. Mas tudo muda quando a mãe dá a luz a um garoto diferente, que já desde pequeno demonstra ser alegre e feliz, um contraste com os outros membros da família. No início os pais tentam frear essa felicidade, ensinando ao garoto que a vida é triste e não há motivos para sorrir. Mas ele cresce e segue sendo o mesmo, e aos poucos, essa alegria vai contagiando os moradores da casa e consequentemente o resto da cidade.


O diretor soube criar com maestria uma alegoria musical ao redor de um tema tão delicado como esse, e só isso já vale o filme. Uma estória que tinha tudo para ser triste, mas que acaba sendo o contrário disso, e termina sendo uma grande lição sobre a vida. Os personagens são extremamente cativantes, além das músicas serem ótimas e a fotografia ser impecável. A direção de arte também merece aplausos pela ótima caracterização de uma cidade pútrida e sem esperança.



Por fim, A Pequena Loja de Suicídios é de fato uma crítica ao ser-humano cada vez mais frio e pessimista, e principalmente ao número crescente de suicídios cometidos diariamente, principalmente na Europa. Uma animação NÃO-recomendável aos pequenos, mas SUPER-recomendável aos crescidos.


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Crítica: Thérèse Desqueyroux (2012)


Não á nada fácil construir um filme de época. Há uma grande dificuldade em transpôr uma história ambientada no passado sem que se pareça com um roteiro vazio de novela épica. Alguns filmes conseguem, mas ultimamente temos visto alguns tiros n'água, e esse filme é um exemplo disso.



Adaptação do livro homônimo de 1927 escrito pelo francês Fraçois Mauriac, Thérèse Desqueyroux (Thérèse Desqueyroux) narra a história da personagem de mesmo nome, Thérèse, única herdeira de um terreno valioso de sua família.



Ela acaba tendo que se casar com Bernard Desqueyroux de forma arranjada, sem paixão alguma, pelo simples fato dessa união ser boa para os negócios de ambas as famílias. Enquanto vive seu dia-dia infeliz ao lado de seu novo marido, Thérèse se comunica com Anne (sua cunhada) através de cartas. Anne está apaixonada, mas por inveja de algo que nunca terá, Thérèse a incentiva a fazer aquilo que ela fez: casar com alguém que não ama pelo bem da família.



A história promete, mas acaba caindo na previsibilidade. Nos deparamos com uma personagem enigmática no início, mas ao decorrer do tempo vamos perdendo o interesse. A narrativa é arrastada, e pouco atrativa. Apesar da fotografia ser belíssima, e alguns diálogos serem interessantes, é um filme que não prende o espectador.



A degradação física e psicológica que sofre a personagem é bem feita, mas não chega a ser  verossímil. Audrey Tatou está bem no papel, mas há coisas que são exageradas na sua atuação (a atriz parece nunca ter deixado Amélie Poulain de lado). Thèrese sofre com sua vida indesejada, mas ao invés de lutar ou se esforçar para mudar a situação, prefere agir de má fé e ter atitudes infantis. Eu pelo menos esperava mais de uma protagonista como ela.




Por fim, o último filme em vida do diretor Claude Miller (que faleceu em abril do ano passado) é tão monótono quanto a vida da personagem principal. Em outras palavras, é um filme que não cumpre o que promete.



Festival de Cannes divulga seleção oficial de filmes.


Cartaz oficial da edição de 2013.
 Foi liberada essa semana a lista de todos os filmes que serão exibidos na 66ª edição do Festival de Cannes, que começa no próximo dia 15 de maio na cidade da riviera francesa.

Na lista dos filmes em competição, aparecem nomes de diretores renomados, como Steven Sodenbergh, Roman Polanski, Paolo Sorrentino e os irmãos Coen, que garantiram presença com suas novas obras.

Dirigido por Baz Luhrmann, o filme de abertura do festival será O Grande Gatsby, longa que conta com o ator Leonardo Di Caprio, e que promete ser um dos grandes filmes desse ano, apesar de não estar na disputa oficial.

Confira abaixo a lista completa dos filmes que estarão em competição:


Carey Mulligan em Inside Llewyn Davis,
novo filme do irmãos Coen,
que compete esse ano no júri oficial.
 - Inside Llewyn Davis - Joel e Ethan Coen (EUA)
- Le Passé - Asghar Farhadi (França)
- Jeune et Jolie - François Ozon (França)
- Nebraska - Alexander Payne (EUA)
- Venus in Furs - Romand Polanski (EUA)
- Behind the Candelabra - Steven Sodenbergh (EUA)
- Only God Forgives - Nicolas Winding Refn (Dinamarca)
- The Immigrant - James Gray (EUA)
- Un Chateau in Italie - Valeria Bruni Tedeschi (França)
- Michal Kohlhaas - Arnoul Despalliere (Alemanha/França)
- Jimmy P. - Arnaud Desplechin (França)

Cena de Behind the Candelabra, do
cineasta Alexander Payne.

- Heli - Amat Escalante (México)
- Grisgris - Mahamat-Saleh Haroun (Africa)
- A Touch of Sin - Jia Zhangke (China)
- Like Father, Like Son - Hirozaku Kore-eda (Japão)
- La Vide d'Adele - Abdellatif Kechiche (França)
- Wara no Tate - Takashi Miike (Japão)
- La Grande Bellezza- Paolo Sorrentino (Itália)
- Borgman - Alex Van Warmerdam (Holanda)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Estreias da Semana (19/04 a 25/04)

Oito filmes entram em cartaz essa semana no Brasil. A lista tem longas para todos os gostos, desde terror psicológico a romance de novela.

O gênero de terror, que tem produzido poucas obras nos últimos meses, volta com tudo com o tão esperado A Morte do Demônio, do diretor Fade Alvarez, remake do clássico de 1981. Para os fãs de ação policial, estreia O Acordo, filme estrelado pelo ator Dwayne Johnson. Já para os fãs de romances, tem mais uma adaptação de um livro de Nicholas Sparks, Um Porto SeguroDa europa, estreia Ginger & Rosa e Irmãs Jamais.

No âmbito nacional, temos a estreia de Meu Pé de Laranja Lima, adaptação do cultuado livro de José Mauro de Vasconcelos. Ainda do território brasileiro, temos Hoje, filme com a atriz Denise Fraga sobre os fragmentos que a ditadura militar deixou para a população mesmo depois de anos, e o documentário Coração do Brasil, que fala dos indígenas brasileiros.

Abaixo vocês conferem a lista completa.



A Morte do Demônio

Mia (Jane Levy) é uma viciada em drogas que, para vencer seus demônios pessoais, pede ao irmão David (Shiloh Fernandez) que a acompanhe até uma cabana rústica, que pertence à família. Natalie (Elizabeth Blackmore), namorada de David, e os amigos de infância Olivia (Jessica Lucas) e Eric (Lou Taylor Pucci) aceitam viajar com os irmãos. Após chegarem, Mia resolve fazer uma cerimônia na qual se desfaz das últimas drogas que lhe restam. Entretanto, eles são surpreendidos ao descobrirem que a cabana havia sido invadida e que o porão parece uma espécie de altar grotesco, rodeado por animais mumificados. Lá eles encontram um livro antigo. Atraído, Eric resolve lê-lo em voz alta, sem imaginar que este ato despertaria uma força demoníaca.

Evil Dead, Estados Unidos, 2013.
Direção: Fede Alvarez
Duração: 91 minutos
Classificação: 18 anos.

                                                        O Acordo

Um adolescente é preso injustamente por um crime que não cometeu e, após ser julgado, acaba sendo condenado a 10 anos de prisão. Desesperado, seu pai John Matthews (Dwayne Johnson) está disposto a qualquer acordo para livrá-lo da cadeia. É quando recebe a proposta de uma promotora federal (Susan Sarandon) para que trabalhe como agente infiltrado em uma operação em andamento, que tem por meta capturar um poderoso chefão das drogas (Benjamin Bratt).

Snitch, Estados Unidos, 2013
Direção: Ric Roman Waugh
Duração: 112minutos
Classificação: 14 anos
Ação/Thriller
Assista o trailer aqui.

Um Porto Seguro

Quando uma misteriosa mulher chamada Katie (Julianne Hough) se muda para a pequena cidade de Southport, Carolina do Sul, seus novos vizinhos começam a levantar questões sobre seu passado. Bela e discreta, ela evita qualquer tipo de laço pessoal com os outros habitantes da região até que conhece o charmoso Alex (Josh Duhamel), um homem gentil, viúvo e pai de dois filhos, e a sincera Jo (Cobie Smulders), que se torna sua amiga. Katie começa a se interessar por Alex e se sente cada vez mais afeiçoada a ele e sua família. Ela acaba se apaixonando mas um segredo de seu passado a impede de ser plenamente feliz. Baseado em um livro de Nicholas Spark.

Safe Haven, Estados Unidos, 2013
Direção: Lasse Hallstrom
Duração: 115 minutos
Classificação: 12 anos
Drama/Romance
Ginger & Rosa

Londres, 1962. Ginger (Elle Fanning) e Rosa (Alice Englert) são amigas inseparáveis. Elas sonham com uma vida melhor que as de suas próprias mães, sempre presas à rotina doméstica, mas a crescente ameaça de uma guerra nuclear as amedronta. Não demora muito para que ambas entrem em conflito com as mães, ao mesmo tempo em que passam a idolatrar Roland (Alessandro Nivola), o pai pacifista de Ginger. Ele encoraja na filha a "lutar contra a bomba", mas aos poucos Rosa demonstra ter outros interesses envolvidos.

Ginger & Rosa, Canadá/Croácia/Dinamarca/Reino Unido, 2012.
Direção: Sally Potter
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos

                                                       Irmãs Jamais

Mistura de documentário e ficção nostálgica, conta em seis episódios uma história sobre a família do diretor Marco Bellicchio em Bibbio, na Itália, que ocorreu entre os anos de 1999 e 2008.

Sorelle Mai, Itália, 2013
Direção: Marco Bellocchio
Duração: 105 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                               Meu Pé de Laranja Lima

Adaptação cinematográfica do livro homônimo de José Mauro de Vasconcelos, que mostra a forte de relação de amizade criada entre um garoto carente de 8 anos e um senhor rico de idade avançada.

Meu Pé de Laranja Lima, Brasil, 2013.
Direção: Marcos Bernstein
Duração: 97 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                                            Hoje

Vera (Denise Fraga) é uma ex-militante política que recebe uma indenização do governo, em decorrência do desaparecimento do marido, vítima da repressão provocada pela ditadura militar. Com o dinheiro ela consegue comprar um apartamento próprio, além de enfim poder ser reconhecida como viúva. Só que, quando está prestes a se mudar, recebe uma visita que altera seus planos.

Hoje, Brasil, 2012.
Direção: Tata Amaral
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

                                                    Coração do Brasil

 Três participantes da expedição que demarcou o centro geográfico do Brasil em 1958 revisitam aldeias, reencontrando personagens e verificando a atual situação dos índígenas. O trio participou da expedição dos irmãos Villas Boas, organizada pela Fundação Brasil Central.

Coração do Brasil, Brasil, 2012
Direção: Daniel Solá Santiago
Duração: 85 minutos
Classificação: livre
Documentário
Assista o trailer aqui.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Crítica: Depois de Lúcia (2012)


A história que nos é contada em Depois de Lúcia (Despues de Lucia) acontece no México, mas poderia muito bem acontecer em qualquer lugar do mundo. Aliás, pode-se dizer que poucas vezes o bullyng estudantil, termo que vem sendo muito discutido ultimamente, foi tão bem desenvolvido em um longa-metragem.


O filme do mexicano Michel Franco começa com Roberto (Hérnan Mendoza) e sua filha Alejandra (Tessa Ia) indo morar na Cidade do México, após a mãe de Alejandra, Lúcia, morrer em um acidente de carro na antiga cidade onde eles moravam. Os dois ainda estão em choque com o ocorrido, e a relação entre eles, apesar de ser boa e amigável, é bastante fechada e cheia de segredos.

Aos poucos Alejandra se enturma com os novos colegas de escola, e se engana ao pensar que formou boas amizades. Em uma festa, ela acaba transando com um dos garotos da turma, que grava o ato e posta o vídeo na internet. O fato acaba mudando para sempre o destino da garota, onde ela passa a sofrer uma degradante violência moral por parte da escola toda, que por fim culmina em um ato trágico.


Além do bullyng, a trama foca principalmente na relação entre pai e filha. Alejandra passa a mudar seu comportamento por conta dos mal tratos dos colegas, mas por não haver uma comunicação franca e direta com o pai, ele acaba não sabendo do que está acontecendo, e quando descobre, passa a ser tarde demais.

O ponto forte do filme é o tamanho teor de veracidade que as cenas proporcionam aos nossos olhos. As atuações são incríveis, principalmente da atriz Tessa Ia, que carrega o filme de modo intenso e forte sem fragilizar em nenhum momento. Outro ponto forte é a fotografia e os ângulos tomados pelo diretor, que alivia um pouco o tema duro e delicado que é contado em cena.


Enfim, Depois de Lúcia é um filme forte, talvez até chocante, que surpreende bastante pela sua enorme qualidade técnica. Um verdadeiro tesouro do cinema Mexicano que vale a pena ser lapidado, e um dos melhores filmes do ano.