quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Estreias da Semana (29/11 a 05/12)

Cinco filmes entram em cartaz essa semana nos cinemas brasileiros. O grande destaque fica por conta de Vovô Sem Vergonha (Bad Grandpa), que marca o retorno dos insanos criadores de Jackass, mesclando ficção com as piadas típicas do grupo.

Dos Estados Unidos tem também Um Fim de Semana em Hyde Park (Hyde Park Hudson), que conta a história de amor entre o presidente Franklin D. Roosevelt e sua prima, durante um fim de semana. Do país norte-americano ainda tem o elogiado Trem Noturno Para Lisboa (Night Train to Lisbon).

O competente diretor argentino Juan José Campanella está de volta, e dessa vez com um filme diferente de tudo que ele já fez na carreira. Um Time Show de Bola (Metegol) é uma animação sobre um garoto e seus jogadores de pebolim que ganham vida. O filme vem sendo elogiado pela crítica especializada, principalmente por ser de um gênero que ainda não é tão comum no cinema latino-americano.

Por fim, tem a comédia nacional Crô - O Filme, que revive nas telonas um famoso personagem de uma novela da globo. Confira abaixo a lista completa.


Vovô sem Vergonha

Irving Zisman (Johnny Knoxville) é um senhor de 86 anos de idade que viaja ao redor dos Estados Unidos ao lado de seu neto, Billy, de apenas oito anos. Durante o percurso, ele permite que o garoto fume, ofenda as pessoas e tome bebidas alcóolicas, o que gera protestos das pessoas ao redor.

Jackass Presents: Bad Grandpa, Estados Unidos, 2013.
Direção: Jeff Tremaine
Duração: 92 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia
Assista o trailer aqui.

Um Final de Semana em Hyde Park


O filme narra a história de amor entre o ex-presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt e sua prima, Margaret Stuckley, durante um final de semana de 1939, quando o Rei e a Rainha da Inglaterra visitaram Nova York.

Hyde Park on Hudson, Estados Unidos, 2013.
Direção: Roger Michell
DUração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance
Assista o trailer aqui.

Trem Noturno Para Lisboa


Raimund Gregorius, um professor suiço, abandona suas palestras e sua vida ultra conservadora para embarcar em uma emocionante aventura, que o levará a uma jornada de auto-conhecimento.

Night Train to Lisbon, Alemanha/Estados Unidos/Suiça, 2013.
Direção: Bille August
Duração: 110 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Romance / Suspense
Assista o trailer aqui.

Um Time Show de Bola


Desde garoto, Amadeo é aficionado por totó, tendo construído seus próprios jogadores e com eles ensaiados as mais diversas jogadas. Um dia ele é desafiado por Ezequiel, um garoto arrogante que se gaba por ser um exímio jogador de verdade. Anos depois do duelo, no qual ele saiu perdendo, ele retorna rico à cidade e com seu dinheiro quer transformá-la numa espécie de parque temático. Para isso, ele precisa enfrentar seu antigo rival numa partida de futebol de verdade.

Metegol, Argentina/Espanha, 2013.
Direção: Juan José Campanella
Duração: 106 minutos
Classificação: livre
Animação / Aventura
Assista o trailer aqui.


Crô - O Filme


Após herdar a fortuna de Tereza Cristina, Clodoaldo Valério (Marcelo Serrado), mais conhecido como Crô, está cansado da vida de milionário. Decidido a encontrar uma nova musa a quem possa dedicar sua vida, ele inicia uma busca. Entretanto, após muito avaliar várias mulheres diferentes, acaba percebendo que sua musa ideal é justamente aquela que ele jamais havia imaginado.

Crô - O Filme, Brasil, 2013.
Direção: Bruno Barreto
Duração: 86 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia
Assista o trailer aqui.

Crítica: Ernest & Céléstine (2013)


Pré-indicado para concorrer ao prêmio de melhor filme de animação na próxima cerimônia do Óscar, Ernest & Celestine (Ernest et Célestine), dos diretores Benjamin Renner, Stéphane Aubier e Vincent Patar, é uma das animações mais graciosas e simples que já tive a oportunidade de assistir.


Celestine é uma ratinha que vive num orfanato e se sente incompreendida no mundo subterrâneo dos ratos. Ela cresceu na instituição ouvindo terríveis histórias sobre a crueldade dos ursos, que vivem no mundo superior, e é sempre deixada de lado pelos outros membros do orfanato, vivendo solitária na companhia do seu caderno de desenho.

Certo dia, ao subir para explorar o mundo lá de cima, ela acaba conhecendo o rabugento Érnest, um urso que adora música e ganha a vida como artista de rua. O começo não á nada amigável, já que Érnest a encontra numa lata de lixo e tenta comê-la viva. No entanto, com o passar do tempo, os dois acabam formando uma forte e singela amizade.



A relação dos dois gera confusão entre o lado de cima e o lado de baixo da terra. Ratos não aceitam que outros ratos sejam amigos de ursos, e vice-versa. Apesar da sensibilidade do enredo, ele traz algumas críticas subentendidas, como por exemplo, o preconceito existente entre classes sociais, já que os ursos que estão acima ignoram o quanto podem a presença dos ratos. Isso fica evidente quando Celestine vai dormir em sua casa, e ele a faz ir para o porão para ficar um nível abaixo.

A fotografia traz aquarelas belíssimas e muito bem desenhadas a mão, o que é de fato louvável nos dias de hoje. Os diretores buscaram trazer a estória, tirada de uma série de livros infantis, quase como um conto de fadas. É uma animação na mais pura forma artística, e com requintes de poesia.



Por fim, num mundo onde os filmes de animação estão com efeitos e gráficos cada vez mais milionários, é gratificante descobrir animações como essa, feitas de forma simples e com sensibilidade acima de tudo. Ernest & Célestine vem chamando atenção nos festivais e realmente é um dos favoritos para chegar entre os finalistas do Óscar.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Crítica: Machete Mata (2013)


Robert Rodríguez conseguiu uma façanha única: fazer o trash virar pop. Seus filmes recheados com muito sangue, linguajar sujo, violência, humor negro e bizarrices afins, remetem muito às famosas Pulp Fictions do início do século 20, que também serviram de influência para outro cineasta da atualidade, seu amigo Quentin Tarantino. Juntos, os dois fizeram alguns dos filmes mais insanos do cinema moderno, como Um Drink no Inferno (1996) e Planeta Terror (2007).


Dirigindo solo, porém, Rodríguez é meio inconstante. Algumas vezes acerta, noutras erra feio. Mas quando acerta, saem coisas sensacionais como Sin City - A Cidade do Pecado (2005), e principalmente, Machete. Lançado em 2010, o primeiro filme da saga nos apresentava ao mal encarado Machete (Danny Trejo), um agente federal mexicano que na época foi contratado por um homem misterioso para matar um importante político americano.

Em Machete Mata (Machete Kills), o justiceiro está de volta, e dessa vez do lado do presidente dos Estados Unidos, Mr. Raghcock, interpretado por ninguém menos que Charlie Sheen. Sua missão é enfrentar um excêntrico e perigoso dono de cartel, que está planejando um ataque nuclear contra os Estados Unidos. Mas como já é de se prever, nada acontece como o planejado com Machete, e a trama vai nos levando a situações cada vez mais absurdas, sem nunca perder o espírito jocoso.


O enredo, apesar de bem construído, não foge muito dos clichês. No entanto, Rodríguez tem algo único, inexplicável, que faz com que eu ame nos seus filmes tudo aquilo que eu odeio em qualquer outra obra do gênero. É um exagero que convence, e que não busca brincar com a inteligência do espectador. 

Além do mais, o elenco é sensacional. Entre os nomes mais famosos que aparecem estão o de Cuba Gooding Jr., Mel Gibson, Antonio Banderas, Lady Gaga e Sofia Vergara. Além disso, ainda tem as "veteranas" da saga, Michelle Rodrigues e Jessica Alba, e um Danny Trejo impecável.


Sim, tudo em Machete Mata é propositalmente bizarro. De sutiãs que disparam como uma metralhadora a tripas humanas que são jogadas nas hélices de um helicóptero, nada é convencional. E é exatamente isso que faz de Rodríguez um dos diretores mais inventivos, extravagantes e singulares do cinema moderno. É um filme para puro entretenimento, para aqueles dias em que a gente não quer nada da vida, apenas esquecer de tudo e assistir um bom filme. Para quem gosta, vale a pena.


domingo, 24 de novembro de 2013

Recomendação de Filme #44

Harry, O Amigo de Tonto - Paul Mazursky (1974)

No Óscar de 1975, três nomes eram cotados como favoritos para ganhar o prêmio de melhor ator: Al Pacino por O Poderoso Chefão - Parte II, Jack Nicholson por Chinatown e Dustin Hoffman por Lenny. No momento do anúncio porém, uma surpresa: Art Corney, por Harry, O Amigo de Tonto (Harry and Tonto), foi quem levou o troféu para casa. Só o fato em si já é relevante o suficiente para que se queira ver esse filme do diretor Paul Mazursky, e posso garantir que vale muito a pena.
Na trama, acompanhamos Harry Combes (Art Carney), um senhor solitário que vive em um apartamento na região pobre de Manhattan apenas na companhia de seu gato, Tonto. Seu dia-dia consiste em dar uma volta pelas ruas da vizinhança, sempre com Tonto a tiracolo, e encontrar velhos amigos na praça local. Ele viveu a vida toda no mesmo prédio, e em alguns diálogos nostálgicos, ressalta como tudo tem mudado de uns tempos para cá. Esse seu sentimento piora quando ele tem que deixar o local porque o prédio vai ser demolido para a construção de um estacionamento.
Obrigado a ir morar com o filho, a nora, e os netos, e acreditando ser um estorvo para a família, Harry resolve viajar em direção à Chicago para se reencontrar com alguns fatos do passado. No entanto, acontecem várias confusões pelo caminho: ele não consegue embarcar num avião por causa do gato, e quando viaja de ônibus, é largado no meio da estrada após incomodar o motorista para que ele parasse, só porque Tonto precisava urinar.
Após se estabelecer na nova cidade, ele compra um carro e dá início a uma viagem sem precedentes, onde encontra uma gama de personagens interessantes. Entre eles Ginger (Melanie Mayron), uma jovem de 16 anos que fugiu de casa, além de uma prostituta e de um vendedor de gatos.
A cena mais marcante do filme talvez seja quando Harry reencontra um antigo amor que não via há 50 anos. Internada em uma clínica, e com problemas de memória, Jessie (Geraldine Fritzgerald) não o reconhece, mas ainda assim, os dois dançam como se fossem duas crianças.
O enredo é conduzido de forma poética, e conta com uma trilha sonora fantástica. Art Corney está realmente impecável no papel de Harry, e mereceu com pompas o Óscar recebido. Todos os outros personagens que aparecem no decorrer da história também são incrivelmente bem explorados pelo diretor, e cada um tem algo de único.
Por fim, não se trata apenas de um filme sobre a amizade entre um homem e um gato. É errôneo achar isso de início. O longa aborda muito mais, principalmente os sentimentos humanos ao chegar no fim da vida, como saudade, nostalgia, medo do futuro e dor pelos sonhos não realizados. Uma pequena obra-prima pouquíssima conhecida, mas de grandioso valor.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crítica: O Capital (2013)


O cineasta grego-francês Constantin Costa-Gavras, conhecido por seus filmes polêmicos, traz em seu novo trabalho, O Capital (Le Capital), uma dura visão do mundo capitalista comandado pelo dinheiro, sobretudo a respeito das instituições bancárias que fazem o que bem entendem, geralmente de forma antiética, em nome de um lucro cada vez maior.


Quando o presidente do gigantesco Banco Phenix é diagnosticado com câncer, ele se vê obrigado a escolher um substituto temporário para comandar a instituição. Indo contra todos os seus acionistas e conselheiros ele acaba escolhendo Marc Tourneuil (Gad Elmaleh), um dos operadores financeiros mais respeitáveis apesar da pouca idade em relação aos colegas.

Marc assume e resolve dar uma cara nova para os negócios. Enquanto isso, tem de conviver com a hipocrisia dos colegas, e com toda a sujeira e a podridão existentes por trás do mundo dos negócios. Apesar de assumir o cargo pretendendo agir com ética, aos poucos ele vai sendo influenciado pelo mundo que o rodeia, e passa a se meter em uma série de armações que antes criticava.


Uma delas choca a todos: a demissão em massa de milhares de funcionários espalhados pelos 49 países onde o banco atua, em troca de bônus por cada demissão e de um aumento significativo nas ações. Tido como um "Robin Hood reverso", que tira dos pobres para dar aos ricos, ele vive sua vida rodeado de luxos e ostentações, como carrões, hotéis caríssimos, jatinhos e viagens.

A cena final resume todo o sentimento de que Costa-Gavras quis passar com o longa, quando Marc vira para a câmera sobre os aplausos dos colegas e declara: "São umas crianças. Crianças crescidas. Se divertem, e continuarão se divertindo, até que tudo exploda".


Com um enredo envolvente e complexo, Costa-Gravas consegue surpreender e segurar o espectador até o final, trabalhando uma estória sobre bancos e investimentos de forma atraente. É sem dúvida alguma um dos grandes filmes do ano, e o cineasta de 80 anos nos prova que ainda não perdeu sua qualidade.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Crítica: O Atentado (2013)


É cada vez mais notável, principalmente de uns anos para cá, o crescimento do número de produções de sucesso que se passam no Oriente Médio, principalmente os que abordam a "eterna" guerra entre Palestina e Israel. O Filho do Outro (Lorraine Levy, 2012), Aproximação (Amos Gitai, 2007), Lemon Tree (Eran Riklis, 2008) e Uma Garrafa no Mar de Gaza (Thierry Binisti, 2012) são bons exemplos dessa nova safra, que agora fica ainda mais interessante com o novo filme do diretor Ziad Duoeiri, O Atentado (The Attack), adaptação do best-seller de Yasmina Khadra.


Amin (Ali Suliman) é um conceituado médico palestino que mora em Israel, e que acabou de receber o prêmio máximo da categoria. No dia seguinte, enquanto está de plantão no hospital onde trabalha em Tel-Aviv, ele ouve uma explosão vinda de algum lugar da cidade, e logo os feridos começam a chegar em grande escala com ferimentos terríveis de mutilação.

Um dia depois, Amin é chamado no necrotério para reconhecer o corpo de alguém que a polícia alega ser sua mulher, Siham (Karim Saleh). Ao reconhecê-la, ele começa a enfrentar um pesado interrogatório, já que tudo indica que era ela quem estava carregando a bomba que explodiu em um restaurante, matando 17 pessoas entre crianças e adultos e ferindo mais dezenas.


O primeiro estágio, obviamente, é de negação. Ele não acredita que sua esposa poderia ter sido a causadora de tudo isso, afinal, ela nunca tinha demonstrado nada a respeito. O personagem começa a viajar nas lembranças do passado, desde quando eles se conheceram até os momentos felizes que viveram juntos, e fica cada vez mais difícil acreditar. No entanto, tudo muda quando ele recebe uma carta, escrita por Siham em vida, como forma de despedida e pedido de desculpas. É quando seu mundo verdadeiramente vai a baixo.

Ele parte em direção à Palestina para tentar descobrir o que foi que aconteceu e quem teria ajudado sua esposa a cometer o ato. Ao adentar no país vizinho, ele descobre que lá, do outro lado da fronteira, todos falam dela com orgulho, por ter feito um ato patriótico contra os "inimigos" vizinhos.


O filme traça um paralelo com casos de mulheres-bomba da vida real, e o quanto suas motivações são diferentes das dos homens. Enquanto eles fazem pela religião e pelo desejo de irem para o paraíso onde terão virgens ao seu dispôr, as mulheres geralmente fazem por puro descontentamento com a vida ou simplesmente para fugir de alguma humilhação desonrosa, como por exemplo, no caso de grávidas fora do casamento.

O final é lindo, e deixa uma dor no coração de quem assiste. Ziad Doueiri conta a estória com brilhantismo, e simplesmente não há o que criticar. Não é a toa que o filme recebeu o prêmio de melhor adaptação literária de 2013 na Feira do Livro de Frankfurt. Por fim, é muito bom perceber que o cinema ainda tem espaço para obras como essa, de tamanha sensibilidade, ainda que sejam pouco divulgadas.


Estreias da Semana (22/11 a 28/11)

Depois de duas semanas com grandes estreias, nessa semana não há nenhum filme dentre os mais esperados entrando em cartaz. O destaque da vez fica por conta do terror Sobrenatural: Capítulo 2 (Insidious: Chapter 2).

Da europa, tem o novo filme do polêmico diretor François Ozon, Jovem e Bela (Jeune & Jolie), além do elogiado drama Os Filhos da Meia-Noite (Midnight's Children), filmado na Índia. Para finalizar a lista tem o nacional Vazio Coração, estrelado pelo ator Murilo Rosa.

Enfim, confira abaixo as informações completas de cada um deles.

Sobrenatural: Capítulo 2

A família Lambert, formada por Josh (Patrick Wilson), Renai (Rose Byrne) e Dalton (Ty Simpkins), volta a lidar com sérios problemas sobrenaturais. O longa mostrará o destino deles em relação ao primeiro filme da saga, lançado em 2010.

Insidious Chapter 2, Estados Unidos, 2013.
Direção: James Wan
Duração: 123 minutos
Classificação: 14 anos

Terror
Assista o trailer aqui.

Os Filhos da Meia-Noite



Em 15 de Agosto de 1947, a Índia conquistou sua independência. Nesse exato momento, à meia-noite, duas crianças nascem em uma maternidade. No entanto, eles acabam sendo trocados: Saleem, filho indesejado de uma mãe pobre, é criado no lugar de Shiva, o filho biológico de um casal rico. A história dos dois meninos será sempre ligada ao destino político do país, principalmente quando a Índia entra em guerra e os dois ficam de lados opostos.

Midnight's Children, Canadá/Reino Unido, 2013.
Direção: Deepa Mehta
Duração: 146 minutos
Classificação: 14 anos

Jovem e Bela

Durante uma viagem de verão com a família, a jovem Isabelle (Marine Vatch) vive a sua primeira experiência sexual. Ao voltar para casa, ela divide seu tempo entre a escola e o novo trabalho, como prostituta de luxo. Ao explorar sua sexualidade, ela logo começa a ganhar dinheiro com seus clientes, e durante quaro estações do ano, acompanhamos sua experiências, passando por altos e baixos.

Jeune & Jolie, França, 2013.
Direção: François Ozon
Duração: 94 minutos
Classificação: 14 anos


Vazio Coração



Hugo (Murilo Rosa) é um cantor nacionalmente famoso. Em um determinado momento da carreira, ele decide fazer uma pausa para encontrar o pai, o Embaixador Mário Menezes (Othon Bastos), no Grande Hotel do Arazá, onde a família costumava passar as férias. Nesse lugar repleto de recordações, ambos tentam reconciliar a relação despedaçada pelo tempo e pelo conflito de ideias.

Vazio Coração, Brasil, 2013.
Direção: Alberto Araújo
Duração: 90 minutos
Classificação: livre

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

5 filmes para refletir nesse Dia da Consciência Negra

A escravidão foi (e em alguns lugares ainda continua sendo, infelizmente) um dos piores crimes que a humanidade já cometeu contra seus semelhantes. Essa prática já existia desde a antiguidade, mas se proliferou a partir do século 15, onde os países mais ricos precisaram de mãe de obra barata para suas colônias recém conquistadas. Seja com índios, negros ou pessoas miseráveis, a escravidão dizimou famílias inteiras e limitou a liberdade dos envolvidos de forma desumana. E o pior, com aceitação de grande parte da população e da igreja católica.

A escravidão dos negros e as consequências que isso trouxe para os dias de hoje já foi abordado de diversas formas no cinema, principalmente como tratado contra a violenta segregação racial. Nesse dia da consciência negra, o Cinema Arte traz para vocês cinco bons filmes para refletir sobre o tema. Confira abaixo.

1. Amistad - Steven Spielberg (1997)


O navio negreiro La Amistad parte em direção aos Estados Unidos carregando um grupo de escravos vindos da África. No meio do caminho, dezenas desses escravos se libertam das correntes, e acabam iniciando um motim para tentar retornar ao local de onde partiram. No entanto, eles acabam sendo capturados por um navio americano, e após serem presos, são levados à julgamento. Do lado deles está o advogado Roger Baldwin (Mattew McConaughay), que junto com o ex-presidente John Quincy Adams (Anthony Hopkins), faz de tudo para libertá-los. O filme é uma obra-prima, e mostra com veracidade todos os horrores que esses pobres homens sofreram, desde a captura na localidade natal até o transporte desumano feito via oceano.

2. A Cor Púrpura - Steven Spielberg (1986)

Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem de 14 anos violentada pelo pai, acaba se tornando mãe de duas meninas. Após o nascimento das crianças, ela é separada das duas para ser escrava de uma mulher (Danny Glover). Cada vez mais só e desamparada, ela começa a compartilhar sua tristeza através de cartas, primeiramente direcionadas à Deus, e depois à sua irmã Nettie (Akosua Busia). O filme choca pela realidade com que são mostradas as cenas brutais de violência contra escravos, não só física como mental.


3. Mississipi em Chamas - Alan Parker (1988)


Drama dirigido pelo experiente Alan Parker, o filme mostra a investigação que dois agentes do FBI, Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe), fazem a respeito da misteriosa morte de três militantes dos direitos civis. Ao chegar no local do crime, eles percebem que a cidade é dividida entre brancos e negros, num ambiente em que a segregação racial é levada até o mais alto nível de violência.


4. Histórias Cruzadas - Tate Taylor (2011)


Skeeter é uma jovem branca que possui o sonho de se tornar uma escritora de sucesso. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da sua cidade, que deixaram suas vidas próprias para trabalhar cuidando da casa de pessoas de elite. As entrevistas desagradam a população em geral, principalmente por muitas vezes escancararem as atrocidades cometidas por essas pessoas. Porém, mesmo com medo, aos poucos a adesão das escravas ao livro vai crescendo.

5. Django Livre

De forma humorada, mas não menos chocante, o diretor Quentin Tarantino nos traz em Django Livre (Django Unchained) a estória de Django (Jamie Foxx), um escravo liberto que parte em busca de vingança e, principalmente, de capturar sua esposa Broomhilda, que ainda permanece escrava do inescrupuloso Calvin Candie (Leonardo DiCaprio). As cenas de violência com escravos são super realistas, e apesar da atmosfera divertida que envolve o enredo, é um longa que dói como um soco no estômago.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Crítica: A Grande Beleza (2013)


Depois da aventura pelo cinema americano com o entediante Aqui é o Meu Lugar, o diretor italiano Paolo Sorentino volta ao cinema italiano com A Grande Beleza (La Grande Belezza), filme que vem conquistando diversos prêmios e críticas positivas por onde passa.



Na trama acompanhamos Jap Gambardella (Toni Servillo), um jornalista que há alguns anos atrás lançou um livro famoso, "O Aparato Humano", tido por muitos como uma obra-prima. No entanto, após esse livro ele não escreveu mais nenhuma outra obra, e já idoso passa a refletir sobre o que fez e o que não fez da vida.

Entre festas da alta sociedade e pequenos luxos, ele encontra outras pessoas da mesma idade que vivem o mesmo dilema de tentar, ainda que tarde, descobrir um sentido para a vida. Alguns pagam milhões para que uma cirurgia plástica faça com que aparentem a juventude que perderam, enquanto outros se afogam no mundo das drogas e do sexo.

Jap não sente mais nenhum apreço pela vida, principalmente por ver toda a futilidade que o envolve diariamente. Quando ele conhece uma freira de 104 anos de idade que continua com a mente saudável, ele passa a enxergar um novo rumo e reencontra até mesmo a vontade de escrever.



O ponto alto sem dúvida alguma são os diálogos, existencialistas ao extremo. Fazemos uma viagem junto de Jap aos mais profundos sentimentos nostálgicos, além de digressões sobre o comportamento humano. A trilha sonora é encantadora, e a fotografia de Roma também é impactante (irei lembrar para sempre a vista da varanda de Jap, de frente para o gigantesco Coliseu). Destaque ainda para a atuação sempre precisa de Toni Servillo.

No entanto, nem tudo são flores. Achei a tentativa do diretor de tentar elevar o filme a um nível de obra de arte bastante enfadonha. Suas passagens oníricas e metafóricas acabam ficando desgastantes no desenrolar da estória, e o filme às vezes parece não ter um foco preciso.



Apesar de algumas cenas memoráveis e alguns momentos sublimes, A Grande Beleza deixa um pouco a desejar no resultado final, e não me cativou. Candidato italiano ao próximo Óscar de melhor filme estrangeiro, ele é um dos fortes concorrentes, mas entre os finalistas é de longe o que menos gostei.


domingo, 17 de novembro de 2013

Recomendação de Filme #43

Ratos e Homens (Gary Sinise) - 1992

Baseado no livro de John Steinbeck, Ratos e Homens (Of Mice and Men) se passa em 1929 durante a Grande Depressão nos Estados Unidos, período que já havia sido abordado pelo mesmo autor no outro sucesso As Vinhas da Ira, adaptado em 1940 por John Ford.

Sob direção de Gary Sinise, o longa conta a história dos amigos George e Lennie, dois caipiras que buscam emprego em um país devastado pela crise financeira. Ambos são homens simples, sem estudos, que trabalham em fazendas e sobrevivem com aquilo que tem à disposição (geralmente uma cama em um estábulo e uma comida).
Lennie, apesar da força e da estatura elevada, possui uma doença que o faz ter uma mentalidade de criança.  George por consequência tem que cuidar dele a todo momento, principalmente para evitar que ele se meta em confusão. Por conta da doença, Lennie possui uma sensibilidade extrema. Isso fica evidente no seu trato com os animais, tanto os cachorros da fazenda, quanto o rato morto que ele insiste em carregar no bolso.
Apesar do cenário indicar uma total falta de esperança, os dois nunca largam o sonho de sair dessa vida e ter sua própria terra, seu próprio lar. São tocantes os diálogos que eles mantém sobre isso, principalmente se pensarmos que o que eles queriam era tão pouco, e mesmo assim inatingível.
A dificuldade de Lennie em perceber o que é certo e o que é errado, além da falta de controle sobre suas ações, acaba resultando em confusões por onde passam, principalmente quando se trata de mulheres. Lennie acaba ficando encantado com a jovem esposa do filho do fazendeiro (Sherilyn Fenn), e mesmo que de forma inocente, acaba levando a um trágico final.

Por fim, Ratos e Homens é uma linda lição de amizade. George e Lennie se completam em quase tudo, precisando um do outro para se manterem vivos como nós precisamos de oxigênio. Sonhos, ambições, amizade e preconceito. Tudo tratado com maestria, que faz com que o filme seja uma verdadeira obra-prima.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Estreias da Semana (15/11 a 21/11)

Um fim de semana de grandes estreias marca o feriado de 15 de novembro em todo país. Para começar, o cultuado Woody Allen está de volta às telas com seu mais novo filme, Blue Jasmine. A comédia dramática, ambientada em São Francisco, traz a atriz Cate Blanchett como protagonista e segue a viagem de "volta ao mundo" do diretor que deverá filmar na França seu próximo trabalho.

Ainda dos Estados Unidos estreia o tão esperado Jogos Vorazes - Em Chamas (The Hunger Games - Catching Fire), adaptação do livro campeão de vendas, e que é uma continuação do sucesso Jogos Vorazes, lançado em 2012. O elenco traz, além da oscarizada Jennifer Lawrence, nomes como Philip Seymour Hoffman, Woody Harrelson e Donald Sutherland.

Da América Latina tem o drama argentino Habi - A Estrangeira (Habi, La Extranjera), além do premiado longa nacional Tatuagem, vencedor do último festival de gramado. Enfim, confira a lista completa abaixo.


Blue Jasmine


Uma mulher rica (Cate Blanchett) perde todo o seu dinheiro e é obrigada a morar em São Francisco com sua irmã (Sally Hawkins), em uma casa bastante modesta. Ela acaba encontrando um homem (Alec Baldwin) que pode resolver todos os seus problemas financeiros, mas antes de iniciar um romance, ela deve se auto-descobrir, além de aceitar a cidade como sua nova casa.

Blue Jasmine, Estados Unidos, 2013.
Direção: Woody Allen
Duração: 98 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama
Assista o trailer aqui.


Jogos Vorazes - Em Chamas

Segundo filme da saga que relata a aventura de Katniss (Jennifer Lawrence), jovem escolhida para participar dos "jogos vorazes", uma espécie de reality show onde um adolescente de cada distrito de Panem deve lutar com os demais até que apenas um saia vivo.

The Hunger Games - Catching Fire, Estados Unidos, 2013.
Direção: Francis Lawrence
Duração: 146 minutos
Classificação: 14 anos.
Ação/ Ficção-Científica
Assista o trailer aqui.

Habi: A Estrangeira

Anália morou seus 20 anos de idade em uma pequena cidade do interior argentino. Decidida a fazer uma viagem para Buenos Aires, ela acaba ficando impressionada ao chegar no local. Por acidente, ela acaba se infiltrando na comunidade islâmica, onde passa a ser bem recebida e muda até de nome, passando a se chamar Habiba Rafat. Porém, como esquecer o passado e adotar uma nova identidade? É aí que começam os conflitos internos na cabeça da personagem.

Habi: La Extranjera, Argentina, 2013.
Direção: Maria Florencia Alvarez
Duração: 92 minutos
Classificação: 10 anos
Drama
Assista o trailer aqui.

Tatuagem

Clécio Wanderley (Irandhir Santos) é o líder do grupo teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e cenas de nudez. A principal estrela da equipe é Paulete (Rodrigo Garcia), com quem Clécio mantém um relacionamento. Um dia Paulete recebe a visita do seu cunhado Fininha (Jesuíta Barbosa), um militar, que começa um relacionamento com Clécio e precisa lidar com a repressão existente no meio militar contra homossexuais.

Tatuagem, Brasil, 2013.
Direção: Hilton Lacerda
Duração: 110 minutos
Classificação: 16 anos
Drama
Assista o trailer aqui.