segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Crítica: 12 Anos de Escravidão (2013)


Todo ano é a mesma coisa: pelo menos uma grande obra cinematográfica tem de ser lançada nos Estados Unidos sobre o período da escravidão. Depois de ser tantas vezes utilizada, a temática até pode ter ficado um pouco desgastada com o tempo, mas o fato é que ainda gera boas e tristes histórias. Dessa vez, a missão de levar o tema às telas ficou com Steve McQueen e o seu drama 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave), muito cotado para ser um dos favoritos ao Óscar de 2014.


Baseado numa história real, o filme se passa em 1841, quando uma boa parte dos escravos negros já viviam livres, e a nova luta passou a ser a sobrevivência em meio a uma sociedade extremamente racista. Logo conhecemos Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um desses escravos libertos, que vive tranquilo com sua família em Nova Iorque, e está no meio da alta sociedade por ser um exímio tocador de violino.

Levado para a cidade grande com a proposta de fazer uma apresentação, ele acaba sendo sequestrado por dois capatazes. Junto com outros negros, também libertos, Solomon é levado de barco a um mercado de escravos, onde é espancado e vendido a uma fazenda do sul do país, comandada por William Ford (Benedict Cumberbatch).


Trabalhando na plantação local, ele é bastante humilhado pelos capatazes, principalmente por John Tibeats (Pau Dano), com quem cria uma desavença de morte. Para poupar Solomon, Ford resolve enviá-lo para outra fazenda, sob o comando do sanguinário Edwin Epps (Michael Fassbender).

Na fazenda de Epps, os escravos são maltratados por pura maldade. O personagem de Fassbender é um verdadeiro monstro, tanto quanto sua mulher Mary (Sarah Poulson), que o incentiva a fazer tudo de macabro que se possa imaginar com seus comandados. McQueen não poupa na violência para mostrar todas as maldades que eram feitas na época, com uma realidade poucas vezes vista nos filmes sobre o tema. Nem mesmo o Django Livre de Tarantino conseguiu ser tão angustiante.


Navalhadas na cara, queimaduras pelo corpo, mãos cortadas, chibatadas que parecem não acabar mais. Tudo isso acaba fazendo o filme ser quase de terror, com a diferença de que isso tudo foi real. No final, após 12 anos nessa vida desumana, Solomon recebe ajuda de Bass (Brad Pitt) para reencontrar o homem que lhe deu a liberdade, e ao voltar para casa, reencontrar sua família, em uma cena emocionalmente bela.

Confesso que o estilo narrativo de McQueen foi algo me incomodou boa parte do tempo, e por isso não consigo considerá-lo melhor do que outros que abordaram o mesmo tema. As atuações são muito boas, mas algumas me pareceram forçadas, como a de Paul Dano e a de Brad Pitt. O segundo aparece no final, fala meia dúzia de palavras, e desaparece, em um das sua atuações mais desnecessárias de sua carreira.


Por fim, 12 Anos de Escravidão é um bom filme mas não é nada fácil, e o público certamente vai sair do cinema quieto, talvez até chorando, por conta da tamanha brutalidade vista em cena. Principalmente por saber que isso realmente ocorreu, e até mesmo pior do que tudo que foi mostrado.


Nenhum comentário:

Postar um comentário