quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Estreias da Semana (29/01 a 04/02)

Sete filmes entram em cartaz essa semana, e entre eles tem dois concorrentes ao Óscar de melhor filme: A Teoria de Tudo e Birdman. O primeiro é um excelente drama que conta a história do cientista Stephen Hawking e sua busca para provar sua teoria do tempo. Já o segundo é uma comédia inteligentíssima do diretor Alejandro González Iñarritú, que já pode ser considerado um dos melhores filmes dos últimos anos.

O diretor Tim Burton também está de volta às telas com o drama Grandes Olhos, com Amy Adams e Christoph Waltz. Ainda se destacam o musical Caminhos da Floresta, o terror A Mulher de Preto 2 e a polêmica comédia A Entrevista. DO cinema nacional tem o documentário Cássia Eller, sobre a vida e a arte da cantora que morreu precoce em 2001. A lista completa vocês conferem abaixo.

A Teoria de Tudo

Baseado na biografia de Stephen Hawking, o filme mostra como o jovem astrofísico e cosmólogo (Eddie Redmayne) fez descobertas importantes sobre o tempo, além de relatar seu romance com Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora quando tinha apenas 21 anos.

The Theory of Everything, Reino Unido, 2014.
Direção: James Marsh
Duração: 120 minutos
Classificação: 10 anos
Biografia / Drama

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

No passado, Riggan Thomson (Michael Keaton) fez muito sucesso interpretando Birdman, um super-herói que se tornou um ícone cultural mas que desapareceu da mídia com o tempo. Em busca da fama perdida, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar uma peça dramática na Broadway, onde deve trabalhar com o excêntrico Mike Shiner (Edward Norton).

Birdman, Estados Unidos, 2014.
Direção: Alejandro González Iñarritú
Duração: 119 minutos
Classificação: 16 anos
Comédia / Drama


Grandes Olhos

O filme apresenta a história real da pintora Margaret Keane (Amy Adams), uma das atrizes mais comercialmente rentáveis dos anos 50 graças aos seus retratos de crianças com olhos grandes e assustadores.

Big Eyes, Estados Unidos, 2014.
Direção: Tim Burton
Duração: 106 minutos
Classificação: 10 anos
Biografia / Comédia

Caminhos da Floresta

Uma bruxa (Meryl Streep) está decidida a dar uma lição em vários personagens famosos dos contos de fadas, como Chapeuzinho Vermelho, Cinderela e Rapunzel. Cabe a um padeiro e sua esposa a tarefa de enfrentá-la, de forma a colocal as histórias e seus personagens em ordem.

Into the Woods, Estados Unidos, 2014.
Direção: Rob Marshall
Duração: 125 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Musical

A Mulher de Preto 2: Anjo da Morte

Durante a Segunda Guerra, um bombardeio destrói a cidade de Londres, forçando diversas crianças a buscarem abrigo em cidades vizinhas. Edward (Oaklee Pendergast) é uma dessas crianças traumatizadas, que junto com outras crianças, foi acolhido por duas mulheres em um abrigo. Aos poucos, uma série de acontecimentos assustadores passam a afetar a vida de todos.

The Woman in Black: Angel of Death, Estados Unidos, 2014.
Direção: Tom Harper
Duração: 98 minutos
Classificação: 14 anos
Suspense / Terror

A Entrevista

Um famoso apresentador de televisão americano descobre que o presidente norte-coreano é fã de seu programa, e viaja ao oriente para fazer uma entrevista exclusiva com ele. Antes de ir, no entanto, ele recebe da CIA a missão de matar o ditador, o que o coloca em risco durante a estadia por lá.

The Interview, Estados Unidos, 2014.
Direção: Seth Rogen e Evan Goldberg
Duração: 112 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

Cássia Eller

Cássia Eller foi uma poderosa força inquieta no palco, e a timidez em pessoa fora dele. Um dos grandes nomes da música brasileira, ela marcou a década de 90 e chocou o país com sua morte precoce em 2001, deixando um bonito legado social e artístico.

Cássia Eller, Brasil, 2014.
Direção: Paulo Henrique Fontenelle
Duração: 120 minutos
Classificação: 12 anos
Biografia / Documentário

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Estreias da Semana (22/01 a 28/01)

Seis filmes entram em cartaz nessa quinta-feira no Brasil, e entre eles estão dois concorrentes ao Óscar. O primeiro é Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, que conta a história por trás da relação dos atletas olímpicos Dave e Mark Shultz com o multimilionário John Du Pont, que resolveu investir em suas careiras. O longa foi indicado em cinco categorias. O outro nome vem da África, mais especificamente da Mauritânia: Timbuktu, filme bastante elogiado e que é um dos concorrentes a melhor filme estrangeiro. A lista completa vocês conferem abaixo.

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

O filme conta a história trágica do campeão olímpico de luta greco-romana Dave Shultz (Mark Ruffalo), abordando principalmente sua relação com o irmão Mark (Channing Tatum), também uma lenda no esporte, e com o milionário John Du Pont (Steve Carell), que montou sua própria equipe de atletas e resolveu investir na careira de todos.

Foxcatcher, Estados Unidos, 2014.
Direção: Bennett Miller
Duração: 134 minutos
Classificação: 14 anos
Biografia / Drama

Antes de Dormir

Depois de grave acidente, dia após dia Christine Lucas (Nicole Kidman) desperta sem lembrar de absolutamente nada do que aconteceu em sua vida nos últimos 20 anos. Com isso, cabe ao seu marido Ben (Colin Firth) a tarefa de relembrá-la de sua vida através de um mural de fotos e detalhes do passado. Só que aos poucos ela vai percebendo que nem tudo parece o que é.

Before I Go to Sleep, França/Reino Unido/Suécia, 2014.
Direção: Rowan Joffe
Duração: 92 minutos
Classificação: 14 anos
Suspense

Busca Implacável 3

O ex-agente do governo norte-americano Bryan Mills (Liam Neeson) tenta tornar-se um homem de família, mas vê tudo ruir quando Lenore (Famke Janssen) é assassinada. Acusado de ter cometido o crime, ele entra na mira da polícia de Los Angeles, enquanto tenta encontrar os verdadeiros culpados.

Taken 3, França, 2014.
Direção: Olivier Megaton
Duração: 103 minutos
Classificação: 12 anos
Ação

Timbuktu

Em uma pequena cidade no norte de Mali, controlada por extremistas religiosos, uma família tem sua rotina alterada quando um pescador mata uma de suas vacas. Ao tirar satisfação sobre o ocorrido, Kidane (Ibrahim Ahmed dit Pino) acaba matando o pescador, e tal situação o coloca no alvo da facção religiosa.

Timbuktu, Mauritânia, 2014.
Direção: Abderrahmane Sissako
Duração: 96 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Amor, Plástico e Barulho

Shelly (Nash Laila) é uma jovem dançarina que tem o grande sonho de se tornar uma famosa cantora brega. Ela entra para o show business em busca de fama e fortuna, mas inserida em um mundo onde tudo é descartável, incluindo o amor e as relações humanas, ela vai encontrar grandes dificuldades.

Amor, Plástico e Barulho, Brasil, 2014.
Direção: Renata Pinheiro
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Minúsculos

Em uma pacífica clareira, entre as sobras de um piquenique, começa uma batalha entre duas tribos de formigas em busca de uma caixa de açúcar. Uma jovem e corajosa  joaninha acaba sendo capturada no meio do fogo cruzado e torna-se aliada das formigas negras, ajudando na luta contra as terríveis formigas vermelhas.

Minuscule - La Vallée des Fourmis Perdues, Bélgica/França, 2014.
Direção: Thomas Szabo e Hélène Giraud
Duração: 89 minutos
Classificação: livre
Animação / Aventura

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Crítica: Um Santo Vizinho (2015)


Com um roteiro previsível mas extramente bem trabalhado, Um Santo Vizinho (St. Vincent), do diretor estreante Theodore Melfi, se revela uma comédia inteligente e sem piadas bobas, o que é raro hoje em dia, e encanta pela sinceridade das atuações e pela abordagem simples e doce da vida.


Aparentemente nada parece dar certo na vida de Vincent (Bill Murray). Desempregado, solitário e devendo dinheiro no banco, ele não tem nenhuma perspectiva de futuro e parece não se preocupar nem um pouco com isso. As únicas coisas que ele ama na vida são sua mulher, que está em uma casa de repouso, e Felix, seu gato de estimação.

Um dia, a recém divorciada Maggie (Melissa McCarthy) se muda para a casa ao lado junto com seu filho pequeno Oliver. Tudo na vida do garoto é novo, inclusive a escola e os amigos, e ele tem dificuldade de se adaptar. Para piorar, ele tem que lidar com o preconceito dos colegas e do próprio professor por ser judeu.


Quando o garoto fica fora de casa depois de perder a chave, Vincent o abriga em sua casa até sua mãe chegar do trabalho. A partir de então ele passa a cuidar do garoto todos os dias, recebendo de Maggie uma quantia em dinheiro por isso (porque obviamente ele não faria essa boa ação de graça). Mal humorado, Vincent é a pessoa menos preparada para cuidar de uma criança, mas se vira do jeito que pode.

Aos poucos os dois vão criando uma relação bacana de amizade. Vincent demonstra não ser aquele cara turrão o tempo todo, e pouco a pouco vamos descobrindo que ele é muito mais humano do que sua aparência demonstra. Ele ensina ao garoto como se defender dos machões da escola, além de mostrar o mundo das corridas de cavalo e Oliver, por sua vez, ensina a ele o "lado bom da vida".


Por fim, Um Santo Vizinho é um filme que emociona ao mesmo tempo que nos faz rir. O roteiro acerta em cheio em não exagerar em nada, nem no drama nem no humor, cadenciando os dois de forma igual. Bill Murray e Naomi Watts tem atuações competentes, mas quem chama mesmo a atenção é Jaeden Lieberher na pele do menino Oliver. É uma jovem promessa que tem um brilhante futuro pela frente, sem dúvida. Só por isso já vale a conferida.

Crítica: Caminhos da Floresta (2014)


Novo musical da Disney, Caminhos da Floresta (Into the Woods) é baseado na famosa peça teatral homônima, encenada há anos, principalmente pelas crianças nas escolas americanas. Com um excelente elenco, muita expectativa se criou para seu lançamento, mas o filme chega aos cinemas já como uma das maiores decepções do ano.



Apesar de ser uma peça quase infantil, ela não deixa de ser mórbida e bastante "adulta". Rapunzel é assassinada e o lobo mal tem implicação sexual com a chapeuzinho vermelho. Além disso, há ainda traição conjugal, desvios de caráter e mortes. No entanto, na adaptação para as telas vemos muito pouco disso. Quase todo o sentido da peça original foi suprimido por uma necessidade de amenizar as coisas, de deixar tudo claro e sensível, e isso não colou bem.

A primeira parte é interessante, e tenta mostrar o lado mais humano de cada um dos personagens. É quando somos apresentados à diversas figuras do inventário popular como Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel e João e o Pé de Feijão. Todos são interligados na história depois que uma bruxa (Meryl Streep) aparece na localidade para desfazer uma maldição.



Tudo parecia correr bem até a metade do filme. Quando chega na segunda parte, o enredo se atrapalha em uma sucessão de erros e aos poucos vamos nos cansando daqueles personagens tão caricatos, sobretudo por todas as falas serem cantadas (o que pode ser muito bem sucedido, como em Os Miseráveis, ou um desastre). Coisas sem explicação, erros de montagem e personagens sem nenhum aprofundamento são apenas alguns dos pontos negativos, que fazem o filme descer ladeira abaixo.

Apesar do excelente elenco, ele não parece ter sido aproveitado da melhor forma. Nem mesmo a atuação de Meryl Streep conseguiu salvar o filme. Quem está bem no seu papel no entanto é Emily Blunt, na pele da mulher do padeiro, personagem importante na história. Johnny Depp também faz uma participação especial, mas curtíssima, e dá para se dizer que foi absolutamente desnecessária.



Infelizmente Rob Marshall (Chicago / Memórias de uma Gueixa) foi muito infeliz na escolhas que fez em Caminhos da Floresta. Subtraindo o que de mais interessante tinha na trama, ele traz um filme vazio e sem essência, que não condiz com o valor histórico que a peça tem no coração dos americanos.


Crítica: Sniper Americano (2014)


A guerra americana contra o oriente médio virou a nova "Segunda Guerra" do cinema. De uns anos para cá são incontáveis os filmes que abordaram essa luta anti-terrorismo e Sniper Americano (American Sniper), novo filme do diretor Clint Eastwood, é mais um deles.



O filme mostra a história de Chris Kyle (Bradley Cooper), homem que trabalhou por anos como atirador de elite do exército americano. Ainda na infância, Chris recebeu ensinamentos de seu pai de que deveria ser o tipo de pessoa que ajuda os fracos em dificuldade. Caubói do Texas, ele decidiu se alistar no exército após assistir no noticiário uma notícia de um atentado terrorista, e após um treinamento pesado, acabou se tornando um SEAL (lendária unidade de forças da Marinha Americana).

O início do filme mostra um pouco da vida de Chris fora do exército, como seu casamento com Taya (Sienne Miller).  Depois do 11 de setembro, os Estados Unidos intensificaram suas ações no oriente médio, e Chris foi enviado para lá para ser um dos atiradores de elite da missão. Lá ele se vê confrontado com uma realidade cruel, e logo no primeiro dia é obrigado a acertar uma criança que carregava uma bomba, o que mexe bastante com seu emocional. 

Cada morte lhe doía, mas ele não tinha o que fazer, era simplesmente o seu trabalho. Com o psicológico abalado, ele não era mais o mesmo na volta para casa, e o filme tenta mostrar justamente isso: o quanto uma ida para uma guerra pode afetar não só a cabeça de um soldado como a de todos os membros de sua família. E a boa atuação de Bradley Cooper consegue passar muito bem esse sentimento.


Por fim, Sniper Americano é um filme que exagera um pouco no patriotismo, até porque foi feito por um dos diretores mais patriotas que o cinema já viu, e isso acaba ficando chato do meio para o final. No entanto, é notório que o povo americano ama filmes assim, e isso ficou comprovado na bilheteria de estreia, recordista na carreira de Eastwood. Quem também adora filmes do tipo é a Academia, que indicou o filme a 6 categorias do Óscar de 2015.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

As 5 melhores atuações de Ricardo Darín

Hoje é impossível falar do cinema argentino e não citar Ricardo Darín. O ator, nascido em Buenos Aires no dia 16 de janeiro de 1957, virou uma marca do cinema moderno do país e já é tido por muitos como o maior ator argentino de todos os tempos.

Desde cedo, Darín já demonstrava aptidão para a carreira. Aos dez anos de idade estrelou junto de seus pais uma peça chamada "Ricardo Darín Y Renée Roxana", e aos dezesseis, fez sua estreia na televisão no programa "Alta Comedia". Nos anos seguintes, Darín participou de diversas séries televisivas, sendo a mais famosa delas a comédia "Mi Cuñado".

Seu nome começou a aparecer para o cinema em 1998 quando estrelou O Mesmo Amor, A Mesma Chuva, do diretor Juan José Campanella, mas foi com Nove Rainhas, lançado em 2000, que ele finalmente ganhou notoriedade no país e principalmente no mundo. A partir de então, ele colecionou uma série de filmes de grande qualidade como O Filho da Noiva (2001), Clube da Lua (2004) e O Segredo de Seus Olhos (2009), todos sob a direção do amigo Campanella. O último inclusive foi um grande sucesso mundo a fora, principalmente depois de ganhar o Óscar de melhor filme estrangeiro. 

Recentemente, o ator continua participando de um bom número de filmes, e seu último grande sucesso foi Relatos Selvagens, que inclusive representou a Argentina no Óscar de 2015. Enfim, como homenagem ao trabalho deste grande ator, segue abaixo uma lista com as cinco atuações mais marcantes da sua carreira.


1- Nove Rainhas (2000)


Darín já tinha 40 anos quando estrelou Nove Rainhas (Nueve Reinas), do diretor Fabián Bielinsky. Porém, foi com esse filme que ele passou a chamar atenção fora do país. Na trama, ele vive o picareta Marcos, que se junta com Juan (Gaston Pauls) para aplicar um golpe em um milionário. O filme é genial, cheio de reviravoltas, e a atuação de Darín não é menos do que fascinante.

2- O Filho da Noiva (2001)


Um dos filmes mais marcantes da carreira de Darín é O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia), sua segunda parceria com o diretor Juan José Campanella, com quem ele já havia trabalhado em O Mesmo Amor, a Mesma Chuva em 1999, e voltou a trabalhar em outras oportunidades posteriores. Nesse filme, ele interpreta Rafael Belvedere, um sujeito que vive a crise dos 40 anos enquanto resolve problemas do seu restaurante e lida com o Alzheimer de sua mãe. Num papel delicado, que mescla humor com drama, Darín tem aqui uma das suas melhores atuações.

3- Clube da Lua (2004)


Mais uma parceria de Ricardo Darín com o diretor Campanella, O Clube da Lua (Luna de Avellaneda) conta a história da casa de dança Luna de Avellaneda, fundada em Buenos Aires na década de 40, e que está a beira de fechar as portas por falta de recursos. Seus fundadores, entre eles o personagem de Darín, fazem de tudo para evitar que isso aconteça. O filme tem um forte tom nostálgico e emociona os olhos mais sensíveis.

4- O Segredo dos Seus Olhos (2009)

O Segredo dos Seus Olhos (El Segreto de Sus Ojos) é a parceria mais bem sucedida de Darín com o Campanella. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010, é também um dos melhores filmes argentinos de todos os tempos. Na trama, Darín vive Benjamin Esposito, um oficial de justiça que se aposentou recentemente. Ele passa a escrever um livro sobre um caso marcante da sua carreira e acaba se reconectando com a história. Um filme envolvente, e mais uma atuação marcante do ator .

5- Um Conto Chinês (2011)


Talvez Um Conto Chinês (Un Cuento Chino) seja o filme mais descontraído da carreira do ator. A trama de um argentino e um chinês que são unidos pela história de uma vaca que caiu do céu encantou muita gente nos cinemas em 2011. Roberto, personagem de Darín, é dono de uma ferragem e um cara solitário, com dificuldade de aceitar a presença de outras pessoas na sua vida. Isso acaba mudando aos poucos, com a presença inesperada do chinês, que não fala nem uma palavra de espanhol e está perdido pelas ruas da cidade.

Crítica: Birdman (2014)


Quem vem lá? É um avião? É um pássaro? Não, quase isso. É Birdman, o super-herói fictício criado por Alejandro González Iñarritú. Quinto longa-metragem do diretor mexicano, do qual sou fã desde o primeiro (Amores Brutos), Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é tão genial quanto o seu subtítulo e um dos filmes mais originais já vistos nas telas dos cinemas.



Birdman, ou melhor, Riggan Thomson (Michael Keaton), ficou famoso na década de 90 ao protagonizar três filmes sobre o super-herói voador, baseados em histórias em quadrinhos. Com o passar dos anos, a carreira de Riggan caiu no ostracismo e perdeu espaço na mídia, principalmente depois de ele ter rejeitado filmar uma quarta sequência para a franquia.

Para se reerguer na carreira, Riggan decidiu migrar para a Broadway, onde começou a dirigir e a atuar em sua própria peça dramática. Nos ensaios ele dá tudo de si e exige isso também dos atores, o que faz com que ele demita quem não mostra capacidade para o papel principal. Com ajuda de sua filha Sam (Emma Stone) e seu produtor Jake, ele procura por um ator que se encaixe perfeitamente à peça e é nesse momento que aparece Mike Sneier (Edward Norton).


Sem o mesmo prestígio de antigamente, mas contando com apoio de todos ao redor, Riggan vai percebendo que seu personagem na peça vai tendo mais similaridade com sua vida fora dos palcos do que ele mesmo esperava. Durante todo o filme, uma espécie de alter-ego seu, na forma do próprio Birdman, tenta a todo custo desestimular ele a dar andamento no gênero dramático e voltar para a ação. 

Aliás, é nessa parte que o diretor faz uma excelente crítica ao mundo do entretenimento atual, em que é preciso se ter mais ação e menos diálogos para chamar a atenção do público. Muitos com certeza irão ao cinema pensando assistir um filme típico de super-herói e irão se decepcionar. Para obter sucesso hoje em qualquer setor cultural, seja no cinema, na música ou na televisão, não é preciso ter talento, e é daí que vem o sensacional subtítulo "A Inesperada Virtude da Ignorância".



O filme é filmado como se fosse um grande plano sequência (apesar de não ser por inteiro, boa parte foi de fato filmada sem interrupção). Isso de certa forma cria mais intimidade com o público, que passeia pelos bastidores do teatro como um espectador onipresente. A trilha sonora é, pasmem, toda feita através de solos de bateria. Isso mesmo, não há melodia trabalhada, nem cordas, nem nada, apenas os tambores de uma bateria subindo e descendo conforme a dramaticidade da cena, e isso foi simplesmente genial.

A indústria do entretenimento é massante, desgastante, e Iñarritú faz aqui uma crítica ferrenha aos próprios críticos que, segundo ele, tem esse trabalho porque não sabem fazer mais do que isso. A história de Riggan seria uma coincidência com a vida real de Michael Keaton, que filmou Batman (também nos anos 90) e depois caiu no ostracismo? Sinceramente, eu acredito que sim, ainda que o diretor não tenha deixado isso explícito.

Falando em Keaton, a atuação dele não é menos do que espetacular, e é merecida sua indicação como melhor ator em boa parte das premiações desse ano. Quem também está impecável é Edward Norton, que também concorre como ator coadjuvante, inclusive no Óscar. Aliás, fazia tempo que ele não fazia um trabalho tão interessante.



O final é subjetivo, e talvez seja exatamente isso que o diretor queria. Ele brinca com a verdade, e principalmente com a cabeça do telespectador. Original como poucos filmes da atualidade, é um filme que deixa o espectador vidrado do início ao fim, até porque não pára um segundo. É impressionante como o tempo passa e você nem percebe, e confesso que ficaria mais horas assistindo-o sem perceber.

Por fim, Birdman não tem uma história de superação, não conta uma história real, nem possui os famosos sons de violinos que embalam uma trama dramática, mas então porque ele está no Óscar? Talvez porque é justamente isso que faltava para o cinema atual: originalidade, e isso o filme tem de sobra. Independente de premiações, podemos dizer que o maior vencedor nesse caso é o próprio cinema.


Por que a trilogia "O Hobbit" fracassou?

Poucas coisas são mais frustantes do que criar uma expectativa imensa para um filme e ver tudo indo por água abaixo já nos primeiros minutos. Pior ainda é quando você espera ansioso pela adaptação de um livro que você gosta muito e o filme acaba sendo uma decepção sem tamanho. Pois com O Hobbit eu tive esse sentimento.



Quando li a notícia que Peter Jackson transformaria O Hobbit, livro escrito por J. R. R. Tolkien, em filme, minha expectativa foi lá no alto. Quando ele anunciou que seriam três filmes, no entanto fiquei desconfiado. Afinal de contas, como preencher três filmes, cada um com cerca de 2h30min, com uma história contada em pouco mais de 300 páginas? Vale lembrar que a outra história das Terra Média levada às telas, o sucesso fenomenal O Senhor do Anéis, também teve três filmes, mas derivados de um livro com mais de mil páginas.

O primeiro filme da saga até me agradou, para dizer a verdade. O segundo já foi mais ou menos, mas o terceiro conseguiu ser terrível e fechou a trilogia de forma vergonhosa. Pois bem, vocês devem estar se perguntando o que de fato não me agradou. Começo falando então dos efeitos especiais. Extremamente exagerados e superficiais, eles deixaram o filme com uma aparência de jogos de vídeo-game. Os personagens não pulavam, saltitavam. Ficou tão falso quanto uma nota de três reais. Em comparação com O Senhor dos Anéis, Peter Jackson teve dessa vez em mãos uma tecnologia ainda mais avançada e em 3D, e talvez tenha sido exatamente isso que estragou. O excesso as vezes não cai bem.

O roteiro por si só deixou diversos furos e pontas soltas, e qualquer um que tenha lido o livro percebe isso explicitamente. Nesse momento muitos vão dizer que "um filme não precisa ser extremamente fiel ao livro", mas com isso eu não concordo. Se é para adaptar para as telas, que seja pelo menos o mais próximo possível do original. Foram dois filmes e meio de "enrolação" para no final mostrar tudo de forma corrida, deixando coisas sem nenhuma explicação. O terceiro filme começa sem nenhuma espécie de introdução, o que deixa qualquer um perdido (a não ser que você olhe os três filmes de uma vez só, sem parar). Nem as atuações de um excelente elenco salvaram a trilogia, pois pareciam todos marionetes de um enredo vazio.


O exagero nos efeitos foi o principal ponto negativo da franquia.

Festivais e premiações nem sempre devem servir de parâmetro para dizer se um filme é bom ou ruim, mas em alguns casos sim, isso quer dizer alguma coisa. Não é à toa que o sucesso anterior de Peter Jackson levou para casa nada menos do que 22 estatuetas do Óscar das 30 que disputou. Já O Hobbit termina sua sequência quase esquecido pelas premiações e sem levar nenhum prêmio para casa.

Por mais que os filmes tenham sido abaixo do esperado, não há como negar que a velha música do condado dos hobbits ainda emociona. No final do último filme há também uma espécie de prólogo da história de Os Senhor dos Anéis, retratando o apêndice que Tolkien escreveu no final do livro original. Outra ligação feita entre uma história e outra é o fato de mostrar quando Bilbo Bolseiro encontra o anel que Frodo destrói anos depois.

Opinião da Crítica e o desempenho nas bilheterias

A opinião dos críticos, em geral, foi bastante dividida. Peter Jackson utilizou na trilogia uma tecnologia revolucionária, utilizando 48 quadros por segundo ao invés do padrão que é 24. Enquanto alguns afirmaram que "tudo parecia mais nítido, dando uma sensação mais real e suave", outros disseram que "a qualidade ultra-real possibilitou detectar mais fácil sets pintados e narizes falsos do que em qualquer outro filme".

A única coisa que dá para dizer que não foi um fracasso em O Hobbit foi o valor arrecadado nas bilheterias. E assim como premiações, todos sabemos que isso também não quer dizer absolutamente nada. Os três filmes foram um sucesso, arrecadando mais que o triplo do orçamento, sobretudo o último filme. Salas lotadas também dividiram opiniões, mas em sua grande maioria foram positivas.

Em um passado não tão distante, os efeitos eram apenas ferramentas extras para dar realismo a determinados tipos de histórias, e não o "carro-chefe" de uma produção. Por fim, a dúvida que fica é a mesma que já vem de anos: será que o cinema está realmente indo para frente com a ajuda da tecnologia ou será que está regredindo? Será que o talento está perdendo seu valor com o uso exacerbado da computação? Isso eu deixo para vocês refletirem.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Crítica: O Jogo da Imitação (2014)


Desde pequeno, Alan Turing (Benedict Cumberbatch) era considerado um prodígio no colégio, principalmente na matemática. Já adulto, quando o Reino Unido declarou guerra à Alemanha em 1939, dando início ao que viria a ser o maior confronto armado da história, Turing resolveu se alistar como voluntário para ajudar o governo britânico a decodificar o chamado Enigma Alemão.


O Enigma era uma sequência numérica utilizada pelos alemães para se comunicarem via rádio durante a guerra, sem que ninguém descobrisse o que estava sendo dito. Nas mensagens estavam desde comandos até estratégias adotadas pelas tropas, e cada mensagem possuía mais de 159 milhões de combinações possíveis. Por conta disso, não se acreditava que um dia alguém conseguiria quebrar tal código, já que a tarefa parecia impossível para a mente humana.

Apesar da resistência dos oficiais, Turing conseguiu, com ajuda dos maiores matemáticos do país, criar uma máquina super potente, capaz de decifrar o enigma em poucos minutos. A máquina, além de ter ajudado os aliados a vencerem a guerra, é considerada um dos principais protótipos do computador que hoje usamos.


A personalidade de Turing sempre foi arrogante, de nariz empinado, e ele sempre se achou melhor do que todos. Isso começou a mudar quando ele conheceu seus colegas e principalmente Joan Clarke (Keira Knightley), com quem viveu um romance falso. Do meio para o final, o filme aborda outra faceta do matemático: a do homossexual enrustido, que foi perseguido pelo governo britânico após a guerra e preso sob acusação de indecência.

Um herói que salvou milhões de vidas para depois ser vilipendiado por causa de sua opção sexual. Esse é o grande mote do filme, que claro, vai muito além disso. Foi preciso mais de meio século para que enfim a Inglaterra reconhecesse o trabalho de Turing, que não viveu para ver isso com seus próprios olhos.


O roteiro é muito bom, e as atuações também impressionam. Benedict Cumberbatch está impecável e mereceu a indicação às principais premiações do ano. Quem também está muito bem é Keira Knightley, que chegou a concorrer como melhor atriz no Globo de Ouro. Por fim, filmes que abordam histórias desconhecidas da Segunda Guerra Mundial são sempre bem vindos, e o tema nunca deixará de ser bem apresentado nas telas.


Crítica: Libertador (2014)


Simon Bolívar é considerado um dos grandes mitos da história latino-americana, e basta irmos a alguns países vizinhos para enxergarmos pelas cidades diversas estátuas e monumentos em sua homenagem. Mas afinal, quem era esse homem que é tido como herói por boa parte da América? Contando um pouco da história desse líder revolucionário, O Libertador já pode ser considerado um grande marco na história do cinema venezuelano.



Bolívar lutou em mais de 100 batalhas e percorreu mais de 12 mil quilômetros pela América, das terras quentes do norte do continente às geladas montanhas dos Andes. No começo do século 19, a Venezuela ainda era uma província do reino espanhol, fazendo parte de uma extensa área denominada Nova Granada, que comprimia desde o Peru até partes onde hoje é o Panamá.

A luta de Bolívar era justamente contra o império Espanhol, em nome da independência dessa imensa região. Ele queria uma América unida e livre de qualquer colonização, e por isso recebeu a alcunha de Libertador. Reunindo pessoas de diversas tribos e etnias, ele conseguiu formar um exército capaz de lutar de frente com as forças espanholas.

O filme começa mostrando o lado humano de Simon, um homem que era dono de vastas terras na região e que se apaixonou por Maria Teresa, duquesa espanhola, depois de ter ido à Europa para aprimorar seus estudos. Anos depois ele voltaria ao velho continente, onde decidiria de uma vez por todas que não descansaria enquanto não visse as terras da América livres do colonialismo.



Representante da Venezuela no Óscar de 2015, O Libertador já conseguiu uma façanha e tanto: ficar entre os nove finalistas ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Com cenas extremamente realistas das batalhas, o filme é uma verdadeira superprodução e um dos filmes mais interessantes já feitos na América Latina. As atuações são excelentes, e o enredo segura o público até o fim, que sai do cinema admirado.