quinta-feira, 28 de maio de 2015

Estreias da Semana (28/05 a 03/06)

Oito filmes entram em cartaz nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros. O grande destaque de bilheteria é Terremoto - A Falha de San Andreas, um dos filmes de "catástrofe" mais esperado do ano, estrelado por Dwayne Johnson. Para quem gosta de um bom drama de guerra tem Promessas de Guerra, primeiro filme dirigido pelo ator Russell Crowe. Fechando a lista de filmes americanos tem a nova comédia com Adam Sandler, Trocando os Pés.

Fora do circuito midiático, dois filmes se destacam: o francês Os Homens que Elas Amavam Demais, e o chinês A Menina dos Campos de Arroz. Ainda da Ásia tem a animação The Last Naruto - O Filme, que deve contar o fim da saga desse herói dos mangás japoneses. Fechando a lista ainda tem dois filmes nacionais: Permanência, mais uma obra do novo cinema recifense com Irandhir Santos, e o terror O Amuleto. Confira a lista completa abaixo.


Terremoto - A Falha de San Andreas

Depois que a famosa "falha de San Andreas" finalmente cede, provocando um terremoto de magnitude 9 na Califórnia, Ray (Dwayne Johnson), um piloto de helicópteros de resgate, precisa atravessar o estado na esperança de resgatar sua filha. Mas a jornada é apenas o começo dos problemas, pois o pior de tudo ainda estava por vir.

San Andreas, Estados Unidos, 2014.
Direção: Brad Peyton
Duração: 114 minutos
Classificação: 10 anos
Ação / Drama / Suspense

Promessas de Guerra

Na Primeira Guerra Mundial, dirante a batalha de Gallipoli na Turquia, o fazendeiro australiano Connor (Russell Crowe) descobre que seus filhos desapareceram. Ele então viaja até Istambul para tentar descobrir o paradeiro deles, e no caminho se envolve com Ayshe (Olga Kurylenko), dona do hotel onde fica hospedado.

The Water Diviner, Austrália/Estados Unidos/Turquia, 2014.
Direção: Russell Crowe
Duração: 111 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Guerra

Trocando os Pés

Max Simkin (Adam Sandler) é um sapateiro solitário que vive em Nova York. Certo dia ele descobre um grande poder: o de se tornar idêntico aos donos dos sapatos que ele conserta, quando calça as peças. Ele tem então a chance de viver na pele a vida de outras pessoas, mas isso traz inúmeras consequências.

The Cobbler, Estados Unidos, 2014.
Direção: Thomas McCarthy
Duração: 99 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

O Homem que Elas Amavam Demais

No ano de 1976, Renée Le Roux (Catherine Deneuve) é dona do cassino Palais de la Méditerranée e seu negócio é constantemente ameaçado pelo mafioso Fratoni. A situação se complica quando sua filha (Adèle Haenel) se apaixona pelo advogado (Guillaume Canet), o que gera uma série de crises e traições.

L'homme qu'on Aimait Trop, França, 2015.
Direção: André Techiné
Duração: 116 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Suspense

A Menina dos Campos de Arroz

Numa pequena vila nas montanhas do sul da China, a jovem A Qiu (Yang Yingqiu) vive com o irmão e a avó, já que os pais trabalham na cidade grande. O grande desejo dela é ser escritora e viajar pelo mundo, mas as dificuldades são imensas e se torna quase impossível realizar seu sonho.

La Rizière, China/França, 2012.
Direção: Zhu Xiaoling
Duração: 82 minutos
Classificação: 10 anos
Drama

Permanência

Ivo (Irandhir Santos) é um fotógrafo pernambucano que viaja a São Paulo para realizar sua primeira exposição individual. Lá ele decide se hospedar na casa de sua ex, Rita (Rita Carelli), que está agora casada com outro gomem. A convivência entre eles passa a trazer sentimentos do passado à tona, tumultuando a relação dela com o atual marido.

Permanência, Brasil, 2015.
Direção: Leonardo Lacca
Duração: 85 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Amuleto

Ao se perderem numa mata fechada, um grupo de jovens acaba encontrando dois de seus amigos mortos. Diana (Bruna Linzmeyer) estava junto mas apenas desacordada, e quando ela precisa prestar depoimento para a polícia, lembra apenas que tinha ido com os amigos em uma festa na floresta e perdido o caminho.

O Amuleto, Brasil, 2014.
Direção: Jeferson De
Duração: 88 minutos
Classificação: 12 anos
Suspense / Terror

The Last Naruto - O Filme

A lua está em rota de colisão com a Terra e pode se chocar na forma de um meteoro. Enquanto isso, Hanabi é sequestrada por um estranho homem. Cabe a Naruto, Shikamaru, Hinata, Sakura e Sai salvar ela e consertar a situação.

Naruto - The Last, Japão, 2015.
Direção: Tsuneo Kobayashi
Duração: 112 minutos
Classificação: 10 anos
Animação

Crítica: Casa Grande (2015)


Do estreante em longa-metragens Fellipe Gamarano Barbosa, Casa Grande entrou em cartaz esse ano no Brasil. Bastante simples em sua fórmula mas ao mesmo tempo complexo em seus detalhes, o filme chamou a atenção de boa parte da crítica especializada, principalmente depois de ser exibido no Festival de Paulínia, no interior do estado de São Paulo.


Jean (Thales Cavalcanti) é um garoto tímido de 17 anos que vive numa família de classe alta no Rio de Janeiro junto com seus pais Hugo (Marcello Novaes) e Sônia (Suzana Pires), além de sua irmã mais nova. Ele aparentemente leva a vida que qualquer adolescente gostaria de levar: tem tudo que quer, estuda numa escola particular e é levado aos lugares que deseja pelo motorista particular da família. O único problema é o controle excessivo dos pais por cada gesto seu, que faz com que sua vida seja rigorosamente controlada.

Essa vida boa começa a ser ameaçada depois que uma forte crise financeira atinge a família. Fica implícito o motivo principal, mas aparentemente seria algo a respeito de investimentos financeiros em ações que perderam valor. Hugo e Sônia tentam esconder isso dos filhos a todo custo, mas vai ficando cada vez mais difícil, sobretudo depois com alguns cortes como a demissão de funcionários da casa.


Sem motorista, Jean passa a utilizar o transporte público da Barra de Tijuca (bairro nobre do Rio) até o colégio São Bento, no centro da cidade. No ônibus ele conhece Luiza (Bruna Amaya), uma menina mestiça que estuda em um colégio público. Não demora para que eles engatem um namoro, mas apesar dela ser extremamente inteligente e educada, sua origem incomoda os pais do garoto que não a enxergam com bons olhos.

Apesar de abordar a história de uma família da alta sociedade, o filme não deixa de ter sua crítica social bem exposta. Alguns assuntos recorrentes da atualidade são bem discutidos, como por exemplo a questão das cotas raciais nas faculdades públicas e privadas e a desigualdade social, além das dúvidas que permeiam a cabeça de qualquer adolescente, como a sexualidade e as aspirações para o futuro. 

Com um bom roteiro, ainda que possua alguns furos e fatos inexplicados, o filme é sustentado pelos diálogos e pela excelente construção de cada personagem. Thales Cavalcanti e Bruna Amaya, que formam o casal adolescente, são ambos atores estreantes. Thales inclusive é verdadeiramente aluno do São Bento, e talvez por isso mesmo sua atuação seja tão convincente. Outra personagem que chama a atenção é Rita (Clarissa Pinheiro), empregada da família, que sem dúvida uma das mais interessantes do filme. Marcello Novaes e Suzana Pires, experientes que são, seguram as pontas com qualidade.


Por fim, Casa Grande se torna uma boa surpresa do novo (e subestimado) cinema nacional, que vem mostrando cada dia mais sua força. Sem grande divulgação, principalmente por não ser "cria" da televisão, é um filme despretensioso mas de grande presença, que merece ser apreciado.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Crítica: A Família Bélier (2014)


Na excêntrica família Bélier, todos os membros são surdo-mudos com exceção da jovem Paula (Louane Emera), filha mais velha do casal Rodolphe (François Damiens) e Gigi (Karin Viard). Por conta disso, ela acaba sendo a intérprete da família em quase todas as situações, sendo de extrema importância para a relação da família com o mundo exterior.



Vivendo em uma fazenda, a principal rotina de todos é cuidar dos animais e das plantações da propriedade, mas Paula ainda precisa reservar um tempo para os estudos. Apesar de ser tímida e viver uma vida quase reclusa, ela não deixa de ser como todas as outras adolescentes de sua idade: tem uma melhor amiga inseparável, um namoro mal resolvido e o mais importante de tudo, sonhos.

Incentivada pelo seu professor Thomasson (Eric Elmosnino), Paula descobre um dom seu até então desconhecido: o de cantar, e a partir de então começa a sonhar alto na carreira musical. A partir desse momento você vai ouvir muita música. Muita mesmo! E todas de extrema qualidade, graças à voz de Leouane Emera, conhecida por ter participado da edição francesa do programa de televisão The Voice.



O enredo faz uma análise bem humorada de pessoas que vivem na situação de completa surdez, e boa parte dos diálogos do filme são feitos através da linguagem de sinais, o que o torna ainda mais interessante. O clímax final é uma cena belíssima e inesquecível, e responde uma grande questão que permeia todo o filme: como apreciar o talento musical de sua própria filha sendo fisicamente incapaz de ouvi-la?

Sobre o roteiro, o único problema foi ter dado mais atenção à parte musical e ter deixado algumas histórias paralelas sem conclusão, como o próprio namoro de Paula com um colega de canto ou a eleição do pai para prefeito da cidade. Mas nada que tire o brilho e a graciosidade de tudo que é mostrado na tela, principalmente pela qualidade das atuações. Nessa questão vale ressaltar que Luca Gelberg, o irmão mais novo de Paula, é o único ator realmente surdo na produção, e todos os demais tiveram que aprender Libras para viverem seus personagens.



Fenômeno de público na França, A Família Bélier é o trabalho mais sensível até então do diretor Eric Lartigau. Seu bom humor e sua originalidade em contar uma história aparentemente simples é o que transforma ele em um dos filmes mais bacanas do último ano. Com certeza vale a pena!


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os vencedores do Festival de Cannes 2015


Ocorreu nesse domingo (24) a 68ª edição do glamouroso Festival de Cannes, considerado o principal festival de cinema do continente europeu. O grande vencedor dessa edição foi o longa Dheepan, do diretor Jacques Audiard, que se consagrou com a Palma de Ouro, prêmio mais importante do evento. O filme, que não constava na lista de favoritos de boa parte da crítica, surpreendeu todo mundo ao ser anunciado como vencedor. Dheepan conta história de um ex-guerrilheiro do grupo Tigres, que luta pela libertação da pátria de Tamil do Sri Lanka, que tenta a vida como imigrante ilegal na França.


Jacques Audiard com o ator do Sri Lanka Antonythasan Jesuthasan, protagonista de Dheepan.

O filme Saul Fia, do jovem cineasta húngaro Laszlo Nemes, foi premiado com o Grande Prêmio de Cannes, outra premiação importante do festival. O filme conta a história de um prisioneiro de um campo de concentração que, em meio à barbárie nazista, tenta enterrar dignamente seu filho segundo o ritual judeu. Outro filme que saiu premiado foi The Lobster, do grego Yorgos Lanthimos, escolhido como melhor filme pelo júri dessa edição, presidido pelos irmãos Ethan e Joel Coen.

La Tierra y la Sombra, do colombiano César Acevedo, foi o vencedor da categoria Câmera de Ouro, que premia o melhor filme de um diretor estreante. Exibido na "Semana da Crítica", o filme já havia recebido o Grande Prêmio desta mostra paralela. Além de César Acevedo, outro diretor latino também saiu premiado: foi o mexicano Michel Franco, que levou o prêmio de melhor roteiro por Chronic, excelente drama protagonizado pelo britânico Tim Roth.

O taiwanês Hou Hsiao-Hsien recebeu o prêmio de melhor diretor pelo filme The Assassin, sobre uma assassina chinesa na época da dinastia Tang. Para finalizar, teve ainda a premiação de Rooney Mara e Emmanuelle Bercot, que dividiram o prêmio de melhor atriz por Carol e Mon Roi, respectivamente, e o francês Vincent Lindon, escolhido melhor ator por La Lou Du Marché.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Estreias da Semana (21/05 a 27/05)

Seis filmes estreiam nessa quinta-feira em todo o Brasil. O principal destaque é o drama A Incrível História de Adaline, que conta a história de uma mulher que parou de envelhecer depois de um estranho acontecimento. Outro destaque é James Brown, cinebiografia do icônico cantor norte-americano, pai do soul e do funk. Para quem gosta de terror tem Poltergeist - O Fenômeno, remake do clássico dos anos 80, e há ainda opção para quem gosta de ação, Crimes Ocultos com Tom Hardy e Gary Oldman. Fechando a lista tem o nacional O Vendedor de Passados, adaptação do livro homônimo de José Eduardo Agualusa, protagonizado por Lázaro Ramos e Alinne Moraes.


A Incrível História de Adaline

Adaline (Blake Lively) é uma mulher jovem e feliz. Em uma noite de 1935 ela sofre um acidente de carro e algo mágico acontece: a partir desse momento ela parou de envelhecer. Para manter isso em segredo, ela usa diversas identidades diferentes, enquanto lida com as dificuldades que isso acarreta, como ver todos aqueles que você ama envelhecendo e morrendo.

The Age of Adaline, Estados Unidos, 2015.
Direção: Lee Toland Krieger
Duração: 140 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

James Brown

A cinebiografia conta a história do cantor James Brown (Chadwick Boseman), desde sua infância até se tornar uma lenda da música americana. Ele foi o precursor do gênero soul, inventou o funk, e fez sucesso com músicas como "Sex Machine" e "I Feel Good".

Get On Up, Estados Unidos, 2014.
Direção: Tate Taylor
Duração: 139 minutos
Classificação: 14 anos
Biografia / Drama / Musical

Poltergeist - O Fenômeno

Eric Bowen (Sam Rockwell) quer dar uma vida melhor para sua família, mesmo desempregado. Eles se mudar para outra cidade com esperanças renovadas, mas na nova casa acabam vivendo seus piores dias por meio de uma força sobrenatural.

Poltergeist, Estados Unidos, 2014.
Direção: Gil Kenan
Duração: 94 minutos
Classificação: 12 anos
Suspense / Terror

Crimes Ocultos

Na fase final do governo de Josef Stálin na União Soviética, o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia. A morte do garoto chama a atenção do agente Leo Demidov (Tom Hardy), pelo fato da família não acreditar que foi um acidente. Na medida em que ele começa a investigar a morte, acaba despertando a preocupação de membros do governo, que tentam a todo custo silenciá-lo.

Child 44, Estados Unidos, 2015.
Direção: Daniel Espinosa
Duração: 138 minutos
Classificação: 16 anos
Drama / Suspense

Miss Julie

Irlanda, 1874. A bela e impetuosa Julie (Jessica Chastain) vive dias de tédio. Para acabar com isso, ela decide se divertir fazendo um jogo de provocação com seu criado, o valente John (Colin Farrell).

Miss Julie, França/Irlanda/Noruega/Reino Unido, 2015.
Direção: Liv Ullmann
Duração: 129 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

O Vendedor de Passados

Vicente (Lázaro Ramos) tem um um trabalho inusitado. Ele vende passados, recriando a história de seus clientes por meio de vídeos e fotos manipuladas. Certo dia, ele recebe uma bela e misteriosa mulher (Alinne Moraes), que aparece para contratar seus serviços mas acaba mudando completamente sua vida.

O Vendedor de Passados, Brasil, 2015.
Direção: Lula Buarque de Hollanda
Duração: 80 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

terça-feira, 19 de maio de 2015

Crítica: O Julgamento de Viviane Amsalem (2014)


Em Israel, os rabinos são os únicos que podem realizar casamentos, assim como também são os únicos que possuem o poder de desfazê-los. Partindo dessa premissa, O Julgamento de Viviane Amsalem (Gett) conta a história da personagem título (Ronit Elkabetz), uma mulher que luta desesperadamente na justiça para conseguir seu divórcio de Elisha Amsalem (Simon Abkarian).



Para que um casamento seja desfeito no país os dois lados precisam consentir, sem exceção, e Elisha se nega veemente a "libertar" Viviane do casamento. É interessante analisar que a direção não se preocupou em mostrar o real motivo dela querer a separação, deixando isso implícito. Viviane simplesmente não é mais feliz ao lado de Elisha (talvez nunca tenha sido), e quer ter a chance de tentar a felicidade em outro lugar, e só isso já deveria ser motivo suficiente para ela conseguir o que quer.

Na disputa judicial, é Viviane contra um tribunal composto inteiramente por homens, que defendem uma lei arcaica feita por eles mesmos. Não querer mais dividir o mesmo teto com alguém que lhe causa repulsa é quase visto como um crime perante a sociedade, sobretudo quando tal ideia parte da mulher. E o mais incrível é como alguém pode querer continuar casado com uma pessoa que lhe odeia só pelo prazer de ver o outro infeliz?

Outro ponto interessante, é que são ouvidas durante o processo uma série de testemunhas, e cada uma delas tenta palpitar na vida do casal, dizendo o que é certo e o que é errado. Todos acham que sabem de tudo que acontece entre os dois, quando na verdade tudo não passa de suposições. É a velha história do "cuidado com a vida alheia", enquanto a sua própria é tão bagunçada quanto.



Os 115 minutos do filme se passam inteiramente da pequena sala do tribunal, e mesmo assim prende a atenção até o final, tamanha competência do roteiro. Com bons diálogos e até mesmo algumas cenas engraçadas, ele nos leva a conhecer um pouco mais do martírio que passam as mulheres em países onde elas tem pouco ou quase nada de direitos. 

Por fim, com boas atuações, principalmente de Ronit Elkabetz (que também dirige o filme), O Julgamento de Viviane Amsalem é um excelente tratado sobre a luta das mulheres ao redor do mundo por liberdade de expressão e pensamento. Viviane é um exemplo a ser seguido, de uma mulher forte que enfrenta de frente a sociedade machista.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

Crítica: A Ilha dos Milharais (2014)


A divisa entre a Geórgia e a república separatista da Abecásia, cuja tensão política é grande desde a guerra que ocorreu na região entre 1992 a 1993, é feita pelo Rio Enguri. Todos os anos, durante a primavera, o rio sofre com a cheia, e a torrente de água acaba criando pequenas ilhas ao longo de sua extensão. Alguns camponeses aproveitam esse período, muitas vezes o único fértil do ano todo, para plantar nessas ilhas e juntar tudo que precisam para o resto do ano.



O filme acompanha a história de um homem (Ilyas Salman) que resolve aproveitar a estação do ano para cultivar uma plantação de milho numa dessas ilhas temporárias. Pouco a pouco ele vai construindo uma cabana no local e preparando o terreno, sempre contando com a ajuda de sua neta adolescente (Mariam Buturishvili). 

A aparente tranquilidade é o tempo todo ameaçada por soldados georgianos, que rondam o lugar de barco e fazem gracinhas com a jovem garota. A situação fica ainda mais perigosa quando um homem ferido acaba parando nos milharais, e o velho e sua neta devem escondê-lo dos demais.



A grande virtude do filme é mostrar a passagem do tempo com atenção máxima aos pequenos detalhes. Enquanto a jovem amadurece, o velho vai descobrindo que para o mundo continuar girando alguns ciclos se fazem necessários. Contemplativo e silencioso (basta ver que a primeira de poucas palavras é proferida apenas aos 20 minutos de filme), é um filme cuja exuberância das imagens falam por si.

O ritmo cadenciado não entedia, e consegue prender a atenção até o final. Escolhido pela Geórgia para representar o país no último Óscar, o filme do diretor George Ovashvili foi bastante elogiado em diversos festivais menos conhecidos, como o de Karlovy Vary na República Checa, onde foi escolhido melhor filme.


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Estreias da Semana (14/05 a 20/05)

Seis filmes entram em cartaz no Brasil nesta quinta-feira, e o grande lançamento da semana é sem dúvida Mad Max: Estrada da Fúria. Diferente do que parecia quando anunciado, o filme não se trata de um remake do clássico que levou multidões ao cinema nos anos 70 e 80, mas sim, de uma continuação da história de Max Rockantasky, interpretado por Mel Gibson na trilogia original e agora por Tom Hardy.

Para quem gosta do cinema europeu, tem o divertido Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência, do sueco Roy Anderson, conhecido por seu cinema excêntrico e de forte crítica à sociedade moderna. Tem também A Gangue, filme ucraniano que chamou a atenção da crítica por ter sido filmado inteiramente com atores surdo-mudos e na linguagem de sinais. Aos amantes do cinema oriental, tem o O Desejo da Minha Alma, filme de estreia do diretor Masakazu Sugita. Do cinema nacional ainda tem o drama Metanóia, sobre a dependência química, e a comédia Divã a 2, continuação de Divã, lançado em 2009. Confira:

Mad Max: Estrada da Fúria

Numa paisagem desértica e pós-apocalíptica, a humanidade precisa lutar por suas vidas. Uma dessas pessoas é Max (Tom Hardy), um homem durão e de poucas palavras que está em busca de paz de espírito após perder a mulher e o filho.

Mad Max: Fury Road, Estados Unidos, 2015.
Direção: George Miller
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos
Ação

Um Pompo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência

O filme apresenta um conjunto de esquetes que refletem sobre as trivialidades da vida e como cada ser humano encara situações como alegria, tristeza e vergonha. A câmera é como se fosse um pombo parado em uma janela, observando o comportamento humano diante da vida que lhe aparece pela frente.

En Duva Satt pa en Gren Och Funderade pa Tillvaron, Suécia, 2015.
Direção: Roy Andersson
Duração: 101 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia

A Gangue

O deficiente auditivo Sergey (Grigoriy Fesenko) é matriculado em uma escola especializada e logo toma ciência das regras da gangue juvenil que age na instituição. Após praticar uma série de roubos, ele cresce na hierarquia do grupo, mas coloca tudo a perder quando se envolve com Anna (Yana Novikova), concubina do líder da organização.

Plemya, Ucrânia, 2015.
Direção: Myroslav Slaboshpytskiy
Duração: 132 minutos
Classificação: 16 anos
Drama

O Desejo da Minha Alma

O Japão é acometido por um terrível terremoto. A destruição psicológica nas pessoas sobreviventes é tão devastadora quanto a destruição física, e é no meio dessa desolação que se encontram os irmãos Haruna e Sotha. Eles perderam os pais no desastre e passaram a ser criados pelos tios, onde lutam dia a dia para retomar a felicidade que antes existia entre eles.

Hitono Nozomino Yorokobiyo, Japão, 2015.
Direção: Masakazu Sugita
Duração: 85 minutos
Classificação: 12 anos
Drama

Metanóia

Eduardo (Caique Oliveira) cresceu na periferia de São Paulo e teve uma boa educação de sua mãe, Solande (Einat Falbel). Apesar disso, Eduardo mergulha no universo das drogas e se torna usuário de crack. A mãe, desesperada, tenta ajudar o filho a se livrar da dependência química custe o que custar.

Metanóia, Brasil, 2015.
Direção: Miguel Nagle
Duração: 107 minutos
Classificação: 14 anos
Drama

Divã a 2

O produtor de eventos Marcos (Rafael Infante) e a ortopedista Eduarda (Vanessa Giácomo) já estão casados há dez anos. Nesse período, o relacionamento acaba se desgastando e por isso eles buscam ajuda no divã de um psicólogo. Mas o que era para resolver os desentendimentos do casal acaba os separando ainda mais, quando Eduarda se entrega ao amor de Leo (Marcelo Serrado).

Divã a 2, Brasil, 2015.
Direção: Paulo Fontenelle
Duração: 93 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Crítica: O Sal da Terra (2014)


Concorrente ao Óscar de melhor documentário em 2015, O Sal da Terra (Le Sel de la Terre) é um dos melhores filmes do gênero que já tive a oportunidade de assistir, mexendo comigo como poucos até hoje conseguiram. Dirigido por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, o documentário é uma biografia do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, mas vai muito além disso.



Nos últimos 40 anos, o fotógrafo mineiro Sebastião Salgado viajou pelos cinco continentes do globo, onde registrou com sua câmera alguns dos principais eventos da nossa história recente. Foi logo no começo da carreira que ele descobriu seu maior dom: fotografar o ser-humano e mostrar a alma de cada um através do olhar, e ninguém possui tamanha habilidade para isso como ele. Guerras, secas, fome, campos de refugiados, isso tudo fazia parte do cotidiano de Salgado, que registrou as mais belas e cruéis imagens da barbárie humana ao longo de sua carreira. 

Sua fase "social" é sem dúvida a mais chocante de todas. Seja registrando costumes indígenas da América Latina, ou expondo as terríveis condições humanas na África, o fato é que suas fotos doem na alma. São imagens poderosas, e é impossível não olhar para elas e não sentir vergonha da nossa raça, ou pelo menos um sentimento de impotência muito grande por saber que coisas horríveis acontecem por aí e não podemos fazer nada para ajudar.



A angústia de Sebastião Salgado foi tanta depois de tudo que viu que ele perdeu a fé na humanidade, e depois de décadas, não conseguiu mais registrar imagens como aquelas. "Várias vezes larguei as câmeras para chorar pelo que via", disse o fotógrafo com um olhar emocionado. Porém, ele seria incapaz de deixar sua paixão de lado, e foi então que resolveu iniciar uma nova série de fotos, onde registraria as belezas naturais do planeta, numa espécie de homenagem ao que ainda existe de bonito por aqui.

O documentário ainda termina abordando o projeto de replantio da mata atlântica que Sebastião Salgado iniciou junto com sua família, que mudou completamente a paisagem desmatada que antes existia ao redor das terras da família. No fim das contas, o sentimento que fica é de que deveriam existir mais pessoas como Sebastião Salgado. Um exemplo de homem, que tentou mudar o mundo através das suas lentes.



Por fim, O Sal da Terra é uma verdadeira celebração à arte da fotografia. A direção acertou em cheio ao mostrar quase tudo em preto e branco, como são a maior parte das fotos de Salgado. É certamente um filme para se apreciar e se apaixonar, e uma verdadeira lição sobre a nossa humanidade.


domingo, 10 de maio de 2015

Crítica: Kurt Cobain - Montage of Heck (2015)


A trajetória de Kurt Cobain, líder do Nirvana, já foi contada de diversas formas, e coube ao diretor Brett Morgen trazer essa história mais uma vez aos cinemas. Já considerada por muitos como a biografia definitiva do artista que revolucionou o rock nos anos 1990, Kurt Cobain - Montage of Heck é sem dúvida o musical mais esperado do ano.



O filme já começa com a lendária apresentação da banda no Brasil, famosa por ter Kurt entrando de cadeira de rodas e uma peruca loira no palco, um pouco antes de começar os primeiros acordes da explosiva Territorial Pissing. Logo já começam as entrevistas, primeiramente com a mãe, o pai e a irmã de Cobain, que vão relatando um pouco mais da sua infância e da sua tumultuada adolescência.

O que mais chama a atenção é justamente a participação dos três no filme. Em outros documentários sobre Cobain, como Kurt Cobain - Retratos de Uma Ausência lançado em 2009, eles eram apenas citados, e as entrevistas eram quase todas feitas com amigos da época e colegas de palco. Logo ficou claro que a intenção de Morgen desde o início era abordar primordialmente o laço familiar de Kurt, e mostrar como essa relação moldou sua cabeça ao longo dos anos.



Entre todas as entrevistas do filme a que mais surpreende de fato é a da ex-mulher e líder do grupo Hole, Courtney Love. Pela primeira vez ela ganhou voz e espaço (e principalmente aceitou de bom grado) para expôr seus sentimentos a respeito da relação que existia entre eles durante os anos em que foram casados. O começo da relação, os momentos de "perseguição" que viveram durante a gravidez de Frances Cobain, as brigas, o abuso de drogas e as causas que levaram à morte do companheiro, tudo é esclarecido sem papas na língua.

O diretor da produção levou mais de oito anos para reunir todo o material do filme, de fotos exclusivas da família a mais de 200 horas de filmagens inéditas do cotidiano de Cobain. Ao longo do filme, vemos o menino Cobain brincando com seus brinquedos quando pequeno, o jovem Cobain tocando seus primeiros acordes na guitarra, e o Cobain que todos conhecemos, fazendo coisas rotineiras que nunca haviam sido mostradas antes ao público, como algumas brincadeiras particulares com sua esposa Courtney Love na hora do banho e na hora de dormir.

Como já dito, o documentário teve a intenção de mostrar o lado mais humano de Kurt Cobain, e conseguiu isso muito bem. Entre tantas imagens reais, chama a atenção também o pertinente uso da computação gráfica, que mostra de forma animada fatos importantes na vida do cantor, além de "dar vida" aos seus diários, rascunhos de letras e desenhos. Literalmente entramos na mente de Kurt, o que ajuda a compreender um pouco mais sobre o que teria o levado ao trágico final.



Por fim, para quem gosta de Nirvana esse é um documentário imprescindível, mas ao mesmo tempo, a narrativa confusa, principalmente nas partes com efeitos visuais, afasta logo de cara quem não é fã da banda. Evidentemente que a trilha sonora compensa, e só por isso já vale a pena cada segundo.