terça-feira, 30 de junho de 2015

Crítica: A Estrada 47 (2015)


Em 1944, mais de 25 mil soldados brasileiros atravessaram o Oceano Atlântico para lutar ao lado dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, e pela primeira vez na história, um filme veio para contar os bastidores de tudo o que aconteceu com eles por lá. A Estrada 47, do diretor Vicente Ferraz, não é só mais um filme de guerra, mas um tratado sobre um pedaço até então pouco conhecido da nossa história.


Se engana quem pensa que a FEB (Força Expedicionária Brasileira) não teve relevância durante o conflito. Apesar de terem ido em número reduzido e de forma precária, os nossos pracinhas cumpriram bem o seu papel, sendo responsáveis por colocar em prática táticas essenciais do comando Aliado, como vigiar pontos específicos ou até mesmo desarmar minas terrestres.

Um desses grupos de soldados ficou responsável por tomar conta do Monte Castelo, na Itália, logo após terem o conquistado. Durante uma noite de vigília, muitos deles acabaram sofrendo um violento ataque de pânico, que acabou fazendo com que todos se separassem. Passada a confusão, quatro deles voltaram a se encontrar: Guimarães (Daniel de Oliveira), Tenente (Julio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Piauí (Francisco Gaspar).


Reunidos novamente, os cinco não sabem o que fazer: retornar ao batalhão e serem julgados por abandono de posto, ou voltar lá para cima do Monte e correr o risco de cair numa emboscada inimiga. Na dúvida, resolveram seguir viagem pelos campos congelados, onde encontraram o jornalista Rui (Ivo Canelas), que lhes conta sobre um campo minado ativo que se torna a grande chance deles se redimirem dos erros cometidos até então.

Apesar do tema ser guerra, não espere um filme de ação. O mais interessante do enredo são de fato os personagens. O soldado Guimarães (por sinal, mais uma excelente atuação de Daniel de Oliveira) narra boa parte do filme através de cartas para seu pai, e mostra com emoção todo sentimento que era presente naquele lugar, onde a maioria não sabia exatamente o porquê de estar ali.

O nordestino Piauí é sem dúvida o personagem mais carismático do filme. Humilde e de bom coração, ele acaba fazendo amizade com um soldado alemão ferido, que eles capturam e levam como prisioneiro por boa parte do caminho. Além disso, ele e o soldado Laurindo passam o tempo todo trocando farpas, o que gera algumas cenas engraçadas e ajuda a aliviar o clima pesado e denso da trama.


Todos estavam ali praticamente sem preparação nenhuma. A maioria deles nunca havia recebido sequer um treinamento mínimo para estar em combate, e não sabiam nem como engatilhar uma arma. Além disso, as roupas que usavam não eram preparadas para o rigoroso inverno europeu, o que talvez tenha sido a principal causa de mortes entre eles.

Por fim, A Estrada 47 pode até não trazer grandes novidades na questão narrativa, mas pode ser considerado um marco histórico para o cinema nacional, que prova mais uma vez possuir uma imensa capacidade técnica quando quer. Vencedor do prêmio principal do Festival de Gramado de 2014, é um forte candidato para nos representar no próximo Óscar, inclusive com boas chances de chegar aos finalistas.

Recomendação de Filme #57


O cinema espanhol sempre foi uma referência quando se fala em filmes de suspense, e dentre todos, O Corpo (El Cuerpo), do diretor Oriol Paulo (roteirista do também aclamado Os Olhos de Júlia), é o melhor que já tive a oportunidade de assistir. Com um enredo empolgante e cheio de reviravoltas, o filme cria um verdadeiro quebra-cabeça na mente do espectador, levando a um desfecho fascinante e completamente imprevisível.


A trama começa com o guarda noturno de um necrotério correndo desesperado mata adentro, aparentemente fugindo de algo que teria acontecido no local. Quando chega na auto-estrada para pedir ajuda ele acaba sendo atropelado, fato que o leva a entrar em coma no hospital, impossibilitando dessa forma que as autoridades chegassem a alguma explicação do ocorrido.

Na manhã seguinte, Alex Ulloa (Hugo Silva) recebe um telefonema avisando que o corpo de sua esposa recém falecida sumiu da gaveta do mesmo necrotério. Nas mãos do inspetor Jaime Peña (José Coronado), o misterioso acontecimento começa a ser investigado, voltando inclusive aos motivos da morte da mulher. É quando uma série de acontecimentos fazem com que surjam suspeitas sobre o próprio Alex de ter sido o responsável pela morte da esposa.


Durante uma longa noite de interrogatório, vamos adentrando na história conturbada do casal através de flashbacks narrados pelo próprio Alex, e nos fatos que supostamente levaram Mayka (Belén Rueda) à morte. Na manhã seguinte, os mistérios do óbito e do desaparecimento do corpo são finalmente revelados, deixando de queixo caído qualquer um que tenha imaginado ser capaz de prever o final.

Impecável tecnicamente, o filme chama a atenção pelas excelentes atuações de todos os envolvidos e pelo roteiro primoroso. Devo admitir que não sou um grande fã do gênero, mas tive que tirar o chapéu dessa vez. Aplausos de pé para Oriol Paulo, que tem em mãos uma verdadeira obra-prima do cinema contemporâneo, que infelizmente ainda é pouco conhecida e reconhecida pelo público em geral.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Crítica: Minions (2015)


Quando foi lançado em 2010 o filme Meu Malvado Favorito, primeiro longa metragem da curta história do estúdio Illumination Entertainment, ninguém, nem mesmo os próprios produtores, acreditavam que ele alcançaria o sucesso que alcançou. Mas mais do que isso, a grande surpresa foi este êxito ter sido atribuído, quase que exclusivamente, aos Minions, os seres amarelos que trabalhavam como ajudantes do malvado Gru, e que eram para ser inicialmente meros coadjuvantes.


Cinco anos depois eles estão de volta às telas, dessa vez com seu próprio filme. A trama começa mostrando um pouco mais sobre a história deles e de como viveram na Terra desde que surgiram, a milhões de anos atrás. Sempre empenhados em ajudar os vilões do momento, eles trabalharam junto com dinossauros, homens das cavernas e até mesmo imperadores durante algumas guerras.

Nos anos 1960 eles estão definitivamente entediados, pois há muito tempo não encontram a quem servir. É quando três deles, Kevin, Bob e Stuart, resolvem viajar o mundo atrás de um novo vilão e acabam dando de cara com uma mulher malvada, que ambiciona roubar o trono da rainha da Inglaterra e assim dominar o país. Decididos a ajudá-la na missão, os Minions mal esperavam que com isso estariam se metendo em uma enorme confusão, o que colocaria inclusive suas próprias vidas em risco.


Tudo parece começar bem, mas não demorou muito para que eu me sentisse incomodado com o que estava assistindo. Os minions perderam nesse filme toda aquela sagacidade que havia virado marca registrada deles, abrindo espaço para uma série de piadas bobas e situações sem graça, que decepcionam aqueles que, como eu, deram muita risada nos dois filmes da franquia anterior e esperavam repetir a dose.

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, entra em cena a vilã Scarlett Overkill (voz de Sandra Bullock na versão legendada e de Adriana Esteves na versão brasileira). Além de não possuir um pingo de carisma, a personagem é extremamente exagerada, e acaba se tornando intragável logo nos primeiros minutos, o que definitivamente acaba com qualquer chance do filme tomar um bom rumo daí para a frente.


Por fim, fica a certeza de que os minions só funcionam mesmo em Meu Malvado Favorito, em pequenas doses e sendo comandados pelo engraçadíssimo Gru. Ao ganharem espaço para serem os protagonistas da história, algo se perdeu, e o que poderia ter rendido um ótimo filme infelizmente se tornou um entretenimento descartável e de baixa qualidade.

Estreias da Semana (25/06 a 01/07)

Sete filmes entram em cartaz nesta quinta-feira em todo o Brasil, e pela segunda semana seguida o destaque fica por conta de um filme de animação. Minions traz de volta às telas os famosos seres amarelos da franquia Meu Malvado Favorito, e promete agradar a todas as idades. 

Para quem gosta de uma comédia romântica tem Virando a Página, com Hugh Grant e Marisa Tomei. Da Europa, estreia o drama de guerra Rainha e País, parceria dos cinemas francês, irlandês e romeno. O cinema iraniano marca presença com a superprodução O Último Poema do Rinoceronte, que conta com o americano Martin Scorsese na produção. Fechando a lista tem o "multinacional" Jauja, e os brasileiros Muitos Homens Num Só e O Gorila. Confira abaixo.


Minions

Tristes desde a morte de seu antigo chefe, os Minions procuram por um novo mestre a quem servir e acabam se encantando por Scarlet Overkill, que sonha em ser a primeira mulher a dominar o mundo.

Minions, Estados Unidos, 2015.
Direção: Kyle Balda e Pierre Coffin
Duração: 123 minutos
Classificação: Livre
Animação / Comédia
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Virando a Página

Há 15 anos, Keith Michaels (Hugh Grant) era um roteirista badalado e vencedor de um Globo de Ouro. Hoje em dia, ele é um cinquentão em crise existencial, sem saber o que fazer para pagar a montanha de contas. A história muda quando sua agente lhe sugere trabalhar como professor de roteiros.

The Rewrite, Estados Unidos, 2015.
Direção: Marc Lawrence
Duração: 106 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Romance
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Rainha e País

O jovem Bill Rohan (Callum Turner) se alista no exército e vai fazer um treinamento durante a Guerra da Coreia, mas para isso tem que deixar sua namorada para trás. Em uma escapada do quartel, ele conhece uma bela mulher, que logo se deixa levar pelas investidas do jovem oficial.

Queen and Country, França/Irlanda/Romênia, 2014.
Direção: John Boorman
Duração: 115 minutos
Classificação: 12 anos

O Último Poema do Rinoceronte

O poeta iraniano Sahel (Behrouz Vossoughi) passou 30 anos numa prisão do seu país. Seu único objetivo ao sair de lá é reencontrar sua esposa, Mina (Monica Bellucci), que passou todos esses anos desolada achando que seu marido estava morto.

Fasle Kargadan, Irã/Iraque/Turquia, 2014.
Direção: Bahman Ghobadi
Duração: 88 minutos
Classificação: 16 anos

Jauja

Um pai e sua filha viajam da Dinamarca para um paraíso chamado Jauja. Ela foge apaixonada e o pai parte em uma violenta busca para reencontrá-la. E a única certeza é de que todos que tentaram se encontrar neste lugar se perderam pelo caminho.

Jauja, Alemanha/Argentina/Estados Unidos/França/Holanda/México, 2014.
Direção: Lisandro Alonso
Duração: 109 minutos
Classificação: 12 anos

Muitos Homens Num Só

No início do século XX, o ladrão gaúcho Artur Maciel (Vladmir Brichta) chega ao Rio de Janeiro para roubar pertences de hóspedes dos mais badalados hotéis da cidade. Para isso, finge ser o médico Antônio, que vive um romance com uma mulher casada (Alice Braga). Enquanto isso, Félix Pacheco (Caio Blat) parte numa investigação para desvender quem é o ladrão de hotéis que vem atemorizando a capital carioca.

Muitos Homens Num Só, Brasil, 2015.
Direção: Mini Kerti
Duração: 90 minutos
Classificação: 12 anos
Drama / Suspense
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O Gorila

Afrânio (Otávio Muller) é reservado e assombrado por memórias de sua infância. Ex-dublador e precocemente aposentado após problemas de saúde, ele busca uma forma de voltar a se integrar na sociedade. Para isso cria um heterônimo: O Gorila, e passa a telefonar para pessoas desconhecidas, geralmente mulheres, estimulando fantasias e  se alimentando de suas histórias.

O Gorila, Brasil, 2015.
Direção: José Eduardo Belmonte
Duração: 94 minutos
Classificação: 14 anos
Drama / Suspense
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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Crítica: Mad Max - Estrada da Fúria (2015)


Nos últimos anos, o que se viu foi uma verdadeira enxurrada de reboots e remakes de filmes clássicos, quase todos de qualidade bastante duvidosa. Por esse motivo, era de se esperar toda a aura de desconfiança que existiu para cima de Mad Max - Estrada da Fúria (Mad Max - Fury Road), divulgado desde o início como sequência da trilogia que iniciou em 1979 e terminou em 1985, e que contava com Mel Gibson no papel principal.


Sob a mesma direção de George Miller, o filme de 2015 não somente fez justiça aos originais como conseguiu ser disparado o melhor de toda a franquia, o que é um mérito e tanto. O cenário continua o mesmo: um mundo pós-apocalíptico, desolado e sem água, onde a luta pela sobrevivência é extremamente violenta. A atmosfera do filme também segue na mesma linha, com personagens e acontecimentos bizarros que beiram a insanidade.

Nesse mundo distópico quem manda são os mais fortes, dessa vez comandados pelo vilão Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), mestre de uma cidadela primitiva que controla toda a água remanescente no planeta. Seus homens aparecem logo na primeira cena, quando capturam e levam como prisioneiro o solitário ex-policial Max (Tom Hardy), que ainda vive desolado por conta de seu conturbado passado.



Quando a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), uma das peças importantes do exército de Joe, fica encarregada de ir até outra cidade buscar combustível, tem início uma perseguição implacável. Na tentativa de salvar as mulheres da cidade, que viviam como verdadeiras escravas, ela muda sua rota e foge com elas pela imensidão do deserto. No caminho elas acabam esbarrando com Max, que inicialmente reluta em ajudá-las mas logo se torna peça importante nessa missão. 

Se tem algo que ninguém pode falar desse filme, é que nele não há ação. Tirando alguns segundos iniciais, que servem para nos encaixar na história, ao longo de suas duas horas ele simplesmente não pára. É eletrizante e hipnotizante, e fica realmente impossível desgrudar o olho da tela até o final. Muito se critica o roteiro do filme, mas confesso que não o vi com maus olhos. Devido a sua forma corrida, seria realmente impossível aprofundar os personagens como eles mereciam, mas não achei que isso tenha atrapalhado o rumo final, principalmente por causa das boas atuações dos envolvidos.


Por fim, dá para dizer que Miller corajosamente juntou tudo aquilo que os blockbusters de ação da atualidade evitam mostrar e temperou com sua própria dose de insanidade, e esta mistura ficou realmente boa. O filme é cru e visceral, e já pode ser considerado, sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes de ação de todos os tempos (e olha que eu estou longe de ser um fã do gênero).

terça-feira, 23 de junho de 2015

Crítica: Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros (2015)


Em 1993, a estreia de Jurassic Park surpreendeu o mundo ao trazer para as telas dinossauros que pareciam de verdade, mexendo com o imaginário de quem sempre teve interesse pelo assunto. Dirigido por Steven Spielberg, o filme foi um sucesso monumental de bilheteria, entrou fácil para a lista dos maiores clássicos de todos os tempos, e até hoje é lembrado com carinho por uma legião de fãs.



Agora, 22 anos depois do primeiro filme lançado, o parque idealizado pelo bilionário John Hammond está novamente de portões abertos, e recebe milhares de pessoas todos os dias na fictícia ilha Nublar. Entre estes visitantes estão os irmãos Zach (Nick Robinson) e Gray (Ty Simpkins), que viajam pela primeira vez sem a companhia de seus pais, sendo supervisionados apenas de longe por sua tia Claire (Bryce Dallas Howard). 

Braço direito do dono do parque, o milionário Simon Masrani (Irrfan Khan), Claire é a mente por trás da criação de Indominus Rex, um dinossauro geneticamente modificado que promete ser a nova atração do parque. Essa necessidade por algo novo para reavivar o interesse de um público já enjoado da mesmice é uma metáfora que o filme faz sobre ele próprio (e se encaixa em qualquer outro filme de ação dos últimos anos). Porém, mesmo com a adição de novos dinossauros para dar uma "repaginada" na história, o filme não deixa os antigos de lado, como pterossauros, raptores e o grande T-Rex (que por sinal aparece triunfante em um determinado momento do filme e deixa todos com os olhos marejados), e isso é um grande mérito.



Quando Indominus Rex mostra ser muito mais inteligente do que deveria e consegue escapar de sua jaula, o terror é instaurado. Há muito mais mortes nesse filme do que em qualquer outro da franquia, e a tensão toma conta até o fim. O mais interessante de tudo, entretanto, é o sentimento de nostalgia que ele deixa em todos nós que crescemos assistindo aos originais. O começo do filme emociona com aquela trilha sonora maravilhosa, e não demora para que venham ao nosso encontro inúmeras referências ao primeiro filme, o que nos deixa com o coração ainda mais apertado.

A desconfiança era grande para cima do diretor Colin Trevorrow, até porque antes deste filme ele havia feito apenas um longa na carreira, e de pouquíssima expressão. Mas dá para dizer que ele se saiu muito bem, e não deixou ponta solta para a crítica. As atuações são convincentes, com destaque para Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, e os efeitos especiais são bem utilizados, sem aquela carga exagerada que existe em muitos dos filmes recentes.



Por fim, Jurassic World ainda conseguiu manter aquela ideia original de desrespeito do homem com a natureza e a incapacidade dele de entender que nunca conseguirá controlá-la, e isso foi muito bem colocado. O roteiro deixa um pouco a desejar, isso não dá para negar, mas se a missão é divertir o espectador (e as vezes é só isso que realmente importa), ele consegue isso com sucesso.


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Crítica: A Fotografia Oculta de Vivian Maier (2015)


Indicado ao Óscar de 2015 na categoria de melhor documentário, A Fotografia Oculta de Vivian Maier nos apresenta a intrigante história da personagem-título, uma babá que tirou fotos verdadeiramente incríveis a partir dos anos 1950 mas que nunca haviam sido reveladas até caírem nas mãos de John Maloof em 2009, um dos diretores do filme.


Mas afinal, quem era essa mulher que tinha um tato único para capturar a beleza do mundo mas que ninguém nunca havia ouvido falar? É essa questão que o documentário tenta responder indo atrás de algumas pistas, na tentativa de encontrar pessoas que teriam tido algum convívio com ela enquanto era viva (ou até mesmo descobrir se ela ainda está viva).

Aos poucos vamos adentrando mais a fundo no universo de Vivian Maier. Histórias sobre seu trabalho como babá, traços de sua personalidade controversa e misteriosa, e a paixão por fotografias, que fez com que ela tirasse mais de 100 mil fotos ao longo da vida. Além das fotos, Maier era também uma colecionadora compulsiva, e foram encontradas inúmeras caixas contendo cartas, peças de roupas, jornais e até mesmo recibos de compras, o que ajudou ainda mais a compreender um pouco mais sobre ela.


A história em si já é bastante curiosa, mas não seria tão interessante se as fotografias tiradas por ela não fossem realmente excepcionais. Muitas das suas fotos são mostradas ao longo do filme todo, e deixa a gente de queixo caído. Com uma qualidade artística única, essa mulher "anônima" conseguiu capturar as situações do cotidiano de uma forma humana, como poucos fotógrafos renomados conseguiram até então.

Depois de reunir todas as fotografias de Maier (que vocês podem conferir no site www.vivianmaier.com), John Maloof começou a apresentá-las em exposições, que foram enormes sucessos pelo mundo afora. Por fim, o documentário é excelente, e o grande mérito é justamente mostrar o trabalho de uma grande artista até então desconhecida, o que nos faz pensar em quantos iguais não existem por aí, apenas esperando alguém encontrá-los.

Estreias da Semana (18/06 a 24/06)

Oito filmes entram em cartaz nessa quinta-feira (18) em todo o Brasil. A grande estreia da semana fica por conta da nova animação da Disney Pixar, Divertida Mente, que mal estreou e já vem sendo considerada uma das melhores animações dos últimos anos. Para quem gosta de comédia, tem Enquanto Somos Jovens, com Ben Stiller, Naomi Watts e Amanda Seyfried. Fechando a lista dos filmes americanos, tem o terror Jessabelle: O Passado Nunca Morre e o drama Minha Querida Dama.

A experiente Charlize Theron está de volta ao cinemas em grande estilo. Além do sucesso de bilheteria Mad Max: A Estrada da Fúria, ela também está no francês Lugares Escuros, adaptação do livro homônimo de Gillian Flynn (autora do sucesso Garota Exemplar). Ainda para quem curte cinema europeu, tem O Cidadão do Ano, do norueguês Hans Petter Moland, que conta com um grande elenco, com nomes como Stellan Skarsgard e Bruno Ganz. Aos amantes da música tem o documentário biográfico Kurt Cobain: Montage of Heck, sobre o icônico líder do Nirvana. Para finalizar a lista, tem ainda o japonês Dragon Ball Z: O Renascimento de F, mais uma adaptação às telas do desenho de sucesso.

Divertida Mente

Riley é uma menina guiada pelas emoções: Alegria, Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza, que vivem no centro de controle de sua mente e tentar fazer com que ela se adapte a nova vida, depois que seu pai arruma um novo emprego em São Francisco e ela é forçada a sair de sua vida no meio-oeste para acompanhar a família.

Inside Out, Estados Unidos, 2014.
Direção: Pete Docter
Duração: 102 minutos
Classificação: Livre
Animação
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Enquanto Somos Jovens

Um documentarista (Ben Stiller) e sua esposa (Naomi Watts) têm um casamento estável e por vezes tedioso. Os dois fazem amizade com um jovem casal de espírito livre (Adam Driver e Amanda Seyfried), que os fazem perceber que podem levar o casamento e a vida de forma mais leve e divertida.

While We're Young, Estados Unidos, 2015.
Direção: Noah Baumbach
Duração: 94 minutos
Classificação: 12 ANOS
Comédia / Drama
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Jessabelle: O Passado Nunca Morre

Ao sofrer um terrível acidente que a deixa paraplégica, Jessie (Sarah Snook) é forçada a voltar para a casa do pai no interior, onde passou sua infância. Ela descobre então que um mistério cerca seu nascimento e que um espírito maligno, chamado Jessabelle, parece determinado a destruí-la.

Jessabelle, Estados Unidos, 2014.
Direção: Kevin Greutert
Duração: 90 minutos
Classificação: 14 anos
Terror
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Minha Querida Dama

Após a morte do pai, Mathias Gold (Kevin Kline) acaba herdando um apartamento luxuoso na França. Ao chegar no local ele dá de cara com a senhora Mathilde (Maggie Smith), e fica sabendo que só poderá ficar com o imóvel quando ela morrer, o que dá início a uma série de desentendimentos entre os dois.

My Old Lady, Estados Unidos/França/Reino Unido, 2015.
Direção: Israel Horovitz
Duração: 107 minutos
Classificação: 12 anos
Comédia / Drama
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Lugares Escuros

Libby (Charlize Theron) tinha sete anos quando perdeu a mãe e as irmãs depois de serem mostrar num ritual satânico. Na época ela testemunhou contra seu irmão e ele foi condenado, mas anos depois ela decide voltar à cidade para investigar o que realmente teria acontecido.

Dar Places, França, 2015.
Direção: Gilles Paquet-Brenner
Duração: 113 minutos
Classificação: 12 anos
Drama / Suspense
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O Cidadão do Ano

Nils (Stellan Skarsgard) é um homem sério e trabalhador que vive numa região montanha da Noruega e acabou de receber o prêmio de cidadão do ano. Quando seu filho é assassinado, Nils decide se vingar, e seus atos geram uma guerra entre um velho gângster e o chefe da máfia sérvia.

Kraftidioten, Dinamarca/Noruega/Suécia, 2015.
Direção: Hans Petter Moland
Duração: 116 minutos
Classificação: 16 anos
Ação / Comédia
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Kurt Cobain: Montage of Heck

Usando vídeos caseiros inéditos, fotos íntimas e até mesmo animação, o documentário conta a história de Kurt Cobain. Líder da banda Nirvana, que lançou o movimento grunge, ele se tornou uma lenda da música americana e mundial.

Kurt Cobain: Montage of Heck, Estados Unidos, 2014.
Direção: Brett Morgen
Duração: 145 minutos
Classificação: 14 anos
Biografia / Documentário
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Dragon Ball Z; O Renascimento de F

Sorbet e Tagoma, membros do exército de Freeza, chegam à Terra em busca das esferas do dragão. O objetivo é reuni-las para trazer seu antigo líder de volta à vida, que morreu após uma batalha contra Goku. O plano é bem-sucedido e Freeza retorna com sede de vingança contra Goku e seu exército.

Dragon Ball Z: Fukkatsu No F, Japão, 2014.
Direção: Tadayoshi Yamamuro
Duração: 93 minutos
Classificação: 10 anos
Animação / Ação
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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Crítica: Corações Famintos (2014)


O americano Jude (Adam Driver) e a italiana Mina (Alba Rohrwacher) se conhecem por acaso em uma situação constrangedora: ambos ficam trancados dentro de um banheiro em um restaurante chinês de Nova Iorque. Esse início tragicômico porém engana o espectador, já que dá uma falsa impressão de que o filme será descontraído dessa forma, quando na verdade é absolutamente o contrário. 



Logo após o encontro inesperado, Jude e Mina iniciam um romance, e não demora para que eles se casem e tenham um bebê. Daí para frente o clima pesado toma conta da trama, e ela se torna bem diferente do que primeiramente insinua. O que parecia apenas mais uma comédia romântica se torna um longa de intenso drama psicológico, com situações que põe em risco não só a relação do casal como também a vida da criança. 

Desde a gestação que Mina acredita que seu filho será um menino especial, e quando ele nasce, por consequência ela acaba exagerando na superproteção, não deixando que lhe toquem, evitando que ele passeie na rua e até mesmo que ele coma alimentos de origem animal, já que ela é radicalmente vegana e considera isso um veneno.



Preocupado com a saúde da criança Jude procura escondido um médico, que informa a ele o crescimento abaixo da média do menino e indica uma mudança drástica na sua alimentação. A paranoia de Mina atinge um nível tão grande que ela se nega veemente a acreditar na palavra do médico, dizendo que só ela e mais ninguém sabe o que é melhor para a criança. E quando a mãe de Jude (Roberta Maxwell) entra na briga para salvar a vida do neto, a tragédia se torna iminente.

As atuações são realmente impressionantes, tanto que ambos ganharam os prêmios principais de ator e atriz no Festival de Veneza de 2014. Ao mesmo tempo que você sente raiva de Mina, é impossível não sentir pena, e Alba Rohrwacher nos faz ter esse misto de sentimentos muitas vezes apenas pelo olhar.



Assim como as atuações, o roteiro do filme também é impecável, com bastante atenção nos detalhes. Sem estreia prevista ainda no Brasil, Corações Famintos já é um dos filmes mais interessantes do último ano, e com certeza merece ser visto, mesmo que não seja fácil de digerir.


Estreias da Semana (11/06 a 17/06)

O amor está no ar nessa véspera do dia dos namorados, e dos seis filmes que estreiam nesta semana, há duas comédias românticas para agradar os apaixonados que querem pegar aquele cineminha pra comemorar: Deixa Rolar, com Chris Evans e Michelle Monaghan, e Sob o Mesmo Céu, com Bradley Cooper, Rachel Adams e Emma Stone. Já para quem gosta de ação tem Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros, superprodução que retorna ao mesmo lugar onde se passou o filme original, lançado há 22 anos atrás e que se tornou um clássico absoluto do diretor Steven Spielberg.

Do cinema europeu dois filmes chamam a atenção: O drama A Lição, parceria entre o cinema grego e o búlgaro, e a comédia francesa Retorno a Ítaca. Fechando a lista tem ainda o brasileiro Quase Samba, do diretor Ricardo Targino. Confira a lista completa abaixo.

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros

O filme se passa nos dias atuais na ilha Nublar, local onde o Parque dos Dinossauros foi inaugurado no clássico filme de 1993. Recebendo 10 milhões de visitantes por ano, o novo parque é completamente seguro, mas tudo muda quando um dinossauro geneticamente modificado ameaça a paz do lugar.

Jurassic World, Estados Unidos, 2015.
Direção: Colin Trevorrow
Duração: 150 minutos
Classificação: 14 anos
Aventura / Ação / Ficção Científica
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Deixa Rolar

Um escritor (Chris Evans) que não acredita no amor deve escrever uma comédia romântica. Tudo vai bem até ele conhecer uma linda mulher (Michelle Monaghan) que muda sua forma de pensar. Agora ele terá que usar toda a sua imaginação e talento para conquistar o coração dela.

Playing it Cool, Estados Unidos, 2014.
Direção: Justin Reardon
Duração: 94 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia
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Sob o Mesmo Céu

O aviador Brian Gilcrest (Bradley Cooper) enfrenta turbulências no trabalho e precisa de uma segunda chance para se reerguer na carreira. Nesse meio tempo ele vai passar uma temporada no Hawaii, onde ele se divide entre sua ex-namorada (Rachel McAdams), que ele reencontra depois de um tempo, e uma colega de trabalho (Emma Stone).

Aloha, Estados Unidos, 2015.
Direção: Cameron Crowe
Duração: 105 minutos
Classificação: 14 anos
Comédia / Drama / Romance
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A Lição

Uma professora dedicada (Margita Gosheva) de uma pequena cidade búlgara enfrenta uma crise financeira. Enquanto luta para resolver seus problemas, ela investiga um suposto roubo que um aluno seu teria cometido, a fim de lhe ensinar uma grande lição.

Urok, Bulgária/Grécia, 2014.
Direção: Kristina Grozeva e Petar Valchanov
Duração: 105 minutos
Classificação: 12 anos

Retorno a Ítaca

O cubano Amadeo (Néstor Jiménez) passou 16 anos exilado em Madri, na Espanha. Quando retorna à Havana para um reencontro com seus quatro melhores amigos, eles desfrutam de um dia no terraço de um prédio, onde cantam suas músicas favoritas e recordam os bons momentos que já tiveram juntos.

Retour à Ithaque, Bélgica/França, 2014.
Direção: Laurent Cantet
Duração: 95 minutos
Classificação: 16 anos
Comédia / Drama
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Quase Samba

Teresa (Mariene de Castro) é uma cantora de rádio que se vê dividida entre dois homens que acreditam ser o pai de seu filho. Um deles é seu antigo namorado, um policial grosseiro (Otto), e o outro é um jovem atencioso (João Baldasserini), e para ajudar na decisão, ela conta com a ajuda de seu melhor amigo (Cadu Fávaro).

Quase Samba, Brasil, 2015.
Direção: Ricardo Targino
Duração: 82 minutos
Classificação: livre
Ação / Drama
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