segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Crítica: Love (2015)


Sou um grande admirador do trabalho do cineasta Gaspar Noé e considero Irreversível (2002) e Enter The Void (2009) duas obras-primas do cinema moderno. Pois em 2015 ele volta aos cinemas com Love, um filme tão polêmico quanto os primeiros e que, como de praxe, chocou a todos na sua exibição em Cannes. A expectativa foi grande, no entanto, dessa vez ele infelizmente deixou a desejar.


Murphy (Karl Glusman) recebe o telefone de sua ex-sogra perguntando se ele sabe onde está Electra (Aomi Muyock), sua ex-namorada, que está sumida há dois meses sem dar nenhum sinal de vida. Ele hoje vive com Omi (Klara Kristin) e seu filho pequeno num pequeno apartamento, onde se sente bastante infeliz, e sua instabilidade emocional fica ainda mais abalada com a ligação.

A partir de então, Murphy começa a relembrar o passado e a história que teve com Electra, principalmente o fim repentino do namoro. A perspectiva dela poder ter se suicidado desperta nele um misto de remorso e rancor, e as reminiscências afetivas entre eles vai nos sendo mostrada pouco a pouco, através de uma narrativa não-linear.


Até alguns meses atrás, Murphy e Electra viviam um romance tórrido, em que nada parecia abalá-los. Porém, tudo começou a ruir quando a jovem Omi passou a morar no apartamento ao lado, e não demorou muito para surgir entre eles um relacionamento à três, que começou como uma brincadeira mas terminou com graves consequências. Deixando se levar pelo charme de Omi, ele pôs tudo a perder com Electra de forma irreparável.

É interessante como são montadas as personalidades dos personagens. Murphy quer seguir na carreira de diretor de cinema e tem como grande ídolo o americano Stanley Kubrick. Mais do que isso, todas as peças de seu apartamento são recheadas com pôsteres de filmes clássicos, o que dá um visual único ao filme. Electra também é apaixonada por arte, mas pela poesia, e são esses detalhes que fazem eles se apaixonarem logo de cara.


O filme, claro, causou polêmica pelas cenas de sexo explícito, com direito a closes que seriam até então inimagináveis em um filme “comercial”. Murphy, numa espécie de alter ego do diretor, diz que falta no cinema atual uma abordagem mais real, onde esperma, sangue e lágrimas sejam o motor chefe da história. E é mais ou menos o que vemos aqui.

As atuações do filme são bastante verossímeis, mas o enredo deixou aquela sensação de que faltou algo. Os finais de Noé sempre costumam ser emblemáticos e até mesmo subjetivos, mas em Love ele não conseguiu o efeito que propôs. Algumas coisas ficaram deslocadas e outras sem explicação, e isso comprometeu o resultado final.

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